domingo, 28 de novembro de 2010

Vídeo da Fran

Oi Pessoal,

Confesso que não foi fácil, porque é muito dolorido escutar a sua voz e saber que ela não está mais aqui.
Mas conseguimos e aqui está o vídeo, que foi gravado no fim de agosto de 2009. Foi uma homenagem para o meu marido em comemoração ao aniversário da empresa dele. Ela gravou o vídeo e pediu para colocarmos junto com todas as homenagens.


video

MUITA MUITA MUITA SAUDADE!!!!!!!

     Beijos
        Isabela

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Considerações Finais

Oi Pessoal,

Como vocês podem perceber a história da Francine em vida terminou. Durante esses últimos nove meses eu pude compartilhar com vocês não só a história dela, mas muito do nosso sofrimento, das nossas dores e da necessidade de ter que viver cada dia sem a sua presença.
Eu espero ter ajudado algumas pessoas, acredito que sim, pelos comentários que tenho recebido desde então. Mas para mim foi muito importante todo esse período, com certeza vocês me deram muita força para tentar superar toda essa história.
O blog superou o seu objetivo inicial. Eu esperava somente que fosse lido pelos conhecidos dela e nossos amigos. Queria mostrar quem era a verdadeira Francine, pois imagino que muitas pessoas ficaram surpresas com o que aconteceu com ela, e alguns devem ter feito comentários maldosos sobre ela, achando que era uma pessoa largada, que só queria saber de festa e incomodar a família. Pois vocês viram que essa não era a minha irmã. Ela trabalhava, era responsável, cumpria suas atividades normais diariamente. Nunca teve envolvimento com a polícia, ou com traficantes ligando para a nossa casa atrás de dívidas. Nunca foi encontrada sem rumo, na rua ou numa festa, e ligaram para meu pai ir buscá-la. Isso é o que normalmente imaginamos de uma pessoa que usa droga. Que é um irresponsável. Mas vocês viram que essa não era a Fran. E isso eu consegui mostrar no blog.
Mas superou os objetivos porque atingiu vários locais do Brasil. Até hoje tenho mais de 300 acessos diários. Mostrou para as pessoas que todos nós podemos ter uma “Fran” perto de nós, precisando de ajuda. Fiquem de olhos abertos nos seus filhos, irmãos, primos, amigos. Desconfiem ao menor sinal de que algo está errado. Tentem ajudar sempre que for necessário.
E quanto aos que se envolveram com drogas, são dependentes químicos, peço que busquem ajuda, não tentem “sair dessa” sozinhos. Dêem valor para a família e amigos. Não desistam. Isso é uma doença, não sei se tem cura, mas tem tratamento.
Ainda não consigo acreditar que não tenho mais a minha irmã. Se vocês querem saber como me sinto, pense no seu irmão, irmã, ou alguém que você gosta muito. Mesmo que você não veja, ou não fale com essa pessoa todo dia, você sabe que ela está lá, seguindo a vida dela. Agora imagina que essa pessoa não existe mais. Não precisa pensar na sua morte, só pense que ela não está mais aqui, você não pode ligar p/ saber se está tudo bem. Aposto como você está pensando: “não, não consigo imaginar isso”. É assim que me sinto, não consigo imaginar que ela não está aqui. Para mim ela está em Floripa, trabalhando, seguindo a sua vida. E de repente me vem lapsos da realidade e isso é muito triste. Preciso encarar a realidade.
Talvez eu escreva um livro, como muitos sugeriram. Mas não agora. Tenho uma vida pessoal e profissional bastante atarefada, e ainda dói muito mexer nas coisas da Francine. Mas não descarto a possibilidade, talvez daqui a um ou dois anos retome essa idéia. Por isso, para todos que me acompanharam durante todo esse tempo, gostaria que me enviassem o seu e-mail e o nome, para que eu deixe guardado e entre em contato se escrever o livro. Pode deixar no comentário, eu não publico, ou então me enviar por e-mail; isabeladeschamps@gmail.com. Se escrever o livro, não será com fins lucrativos. Se for possível, eu vou presentear os amigos, ou então vender apenas para pagar o custo.
O blog vai continuar no ar, podem escrever quando quiser, vou ler os comentários sempre que puder e publicá-los. Mas antes de terminar, ainda tenho um vídeo que quero colocar. Só não coloquei porque está nos arquivos do meu marido e ele tem que procurar. E também confesso que tenho medo da minha reação ao ver o vídeo. Mas essa semana ou na próxima eu divulgo no blog.

Mais uma vez, muito obrigada por tudo. Vocês foram anjos na minha vida!

Um grande abraço a todos
Isabela

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dia 09 de Outubro

Na sexta-feira, dia 09, eu tinha marcado a consulta com a Jaira as 11:00 hs. Combinei com meus pais e meu irmão e todos foram. Lá, conversamos sobre a situação da Francine, a recaída, o descontentamento com o médico. Combinamos com  a Jaira que aos poucos iríamos falar para a Francine que ela iria mudar de médico. Ela nos explicou muito sobre a dependência química, sobre como deveríamos agir. Na verdade, ela nos explicou muita coisa que poderia ser dita pelo médico da Francine, que nunca quis nos atender. Eu lembro muito bem que minha mãe disse assim: "eu estou com medo de sair de casa e acontecer alguma coisa ruim. Hoje nós temos compromisso, mas acho que nem vamos para não deixar a Francine sozinha". E a Jaira respondeu: "vocês não podem parar a vida de vocês, se for para ter uma overdose, vocês nem precisam sair de casa. Ela pode fazer isso com vocês estando junto." Isso que ela me falou nunca me saiu da cabeça, pois foi o que realmente aconteceu.
Saímos dali, meu pai pegou a Francine e fomos todos almoçar no Shopping Beira-Mar. Interessante porque foi um almoço onde estavam presentes nós cinco, fato que fazia muito tempo que não acontecia. Somente eu, a Fran, o Fábio e meus pais. Foi um almoço atribulado, o local estava cheio, cada um foi buscar comida num lugar. Eu estava sentada conversando com a minha mãe e meu irmão e a Fran chegou e falou: "vamos mudar de assunto porque o assunto chegou". E se sentou para comer. Eu me levantei e fui buscar a minha comida. Quando voltei, ela já tinha terminado e estava indo embora com meu pai. Eu, muito inocente, falei para a minha mãe que achava que ela estava bem. Mas meu irmão disse que dava para perceber que ela tinha cheirado pó. Meu pai a deixou de volta no traalho, e ela foi no Banco do Brasil para fazer um depósito na conta do meu irmão, de um dinheiro que ela devia para ele. Ela ligou para ele pedindo o número da conta. Depois eu soube que ela chamou o S. Hélio, patrão dela, para ir ali porque ela achava que estava sendo seguida por alguém. Ele ajudou e ela voltou para o trabalho. Lá ela começou a fazer limpeza no consultório, jogava água, dizia que tinha que limpar tudo. Eles acharam estranho. Alguns funcionários estavam olhando alguma coisa no computador e ela chegou perto e disse; vocês estão investigando a minha vida? O que vocês estão faznedo aí? O S.Hélio viu que ela não estava bem e pediu para não deixarem ela atender nenhum paciente. Ligou para o meu pai pedindo pra iem buscá-la porque viu que ela estava drogada.
Depois do almoço eu e minha mãe ficamos no shopping. Estava tudo bem, falávamos sobre o casamento do meu irmão. Comprei o sapato e mandei arrumar o vestido do casamento. Estávamos preocupadas porque a Francine não tinha visto a roupa dela ainda. Lá pelas 16:30 hs eu voltei paa Tijucas.
Quando estava no meio do caminho, meu pai ligou dizendo que tinham ligado da Pet Shop avisando que a Francine não estava bem, que era para ir buscá-la. Eu disse: "pai, pega  Francine e leva até onde o Alex (meu marido) está, eu vou ligar para ele e pedir para ele esperar e trazer a Francine para nossa casa, deixa que eu cuido dela". Meus pais acharam melhor eles ficarem com a Francine. Eu disse assim:  "então leva ela para a casa, tira a roupa dela, manda ela ficar no quarto, não deixa ela ficar com a bolsa. Não falem nada. Amanhã vocês conversam para decidir o que ela quer fazer da vida, se quer se internar novamente".
E voltei para a minha casa preocupada. Meu marido também chegou e eu fiquei tentando falar com minha mãe. Aí descobri que eles estavam na casa de uma tia nossa. Conversei com meu irmão, que já estava em Itajaí. Ele ligou para a minha mãe e nessa hora a Francine estava tendo uma convulsão. Meu irmão me ligou apavorado dizendo: "está acontencendo alguma coisa com a Francine, tu está mais perto de Florianópolis, pega o carro e corre para lá". Eu e meu marido fomos e logo que pegamos a estrada meu pai ligou chorando, desesperado, gritando o que tinha acontecido.
Não havia mais o que fazer. Meu chão caiu. Falei com o médico que tinha tentado salvá-la, mas ela teve 3 paradas cardiácas. Ele me passou o telefone da funerária que eu precisava ligar. No carro fui fazendo as ligações. Eu tremia toda, batia o queixo sem parar. Fiquei anestesiada. Não acreditava que aquilo estava acontecendo com a minha família. Chegamos no apartamento da minha tia e estavam todos muito nervosos, ela ainda estava lá. Não consegui ver o rosto dela. Chegou o IML, para buscar o corpo. Fui para a delegacia com meu marido, para a funerária. Naquela noite eu e meu marido resolvemos tudo. Até hoje não sei onde tive forças para fazer tudo o que fiz, praticamente sem derramar uma lágrima.
Fomos para a casa de meus pais, a casa cheia, o telefone tocando sem parar. Até hoje não sei como avisaram tanta gente e tão rápido. Eu só queria ficar no meu canto. Não conseguia conversar. Porque além de ter que contar para as pessoas que a Francine tinha morrido, ainda tinha que explicar o motivo, e todos ficavam chocados, porque quase ninguém sabia que ela era dependente química em tratamento. Os amigos dela diziam: não, a Fran não, A Fran é festeira, bebe todas, mas não usa droga.
Voltamos para Tijucas. Tentei descansar, mas claro que não preguei o olho. Esperei amanhecer, tomei banho, fui levar roupas para a minha filha que estava na minha cunhada. Passei na  minha sogra e só então me dei conta que tudo era verdade. Comecei a chorar  e não parei mais. Havia perdido a minha irmã para sempre. Como aceitar isso? Como contar para a minha filha que gostava tanto dela?
Fomos para Florianópolis. Meu pai e meu irmão estava resolvendo os detalhes que faltavam. O corpo só chegou as 13:00 hs, se não me engano e o enterro foi às 17:00 hs. Nunca imaginei que iria passar por isso na minha vida.
Tinha muita gente, mas não sei se algum amigo dela que também era usuário foi ao enterro. O cara do restaurante acho que não foi. Não sei se o menino que ela tinha saído algumas vezes, o Adriano, esteve lá.
O ex-namorado dela estava inconsolável. Se sentia culpado por ter acontecido tudo isso. Mas de forma alguma ele pode ser culpado. Foi um namoro longo, de 4 anos, mas que infelizmente não deu certo. Os dois tinham gênio forte. Não deu, cada um foi para o seu lado seguir sua vida, o problema é que ela se envolveu com pessoas erradas, que mostraram uma "solução" para a tristeza dela, que acabou levando ao fim de sua vida.
Perdi minha irmã com 26 anos de idade para as drogas. Isso é terrível! Nos sentimos impotentes diante dessa situação.
Não deixem que isso aconteça com a família de vocês! Quem está passando por algum problema, por favor, busque ajuda. Não desista de viver. Todos nós somos importantes!

Um grande abraço
Isabela

terça-feira, 9 de novembro de 2010

De 5 a 8 de outubro

Na segunda-feira, dia 05/10, liguei para a Jaira, assistente social que trabalha com o Dr. Marcos Zaleski, marcando uma consulta para o dia 09, sexta-feira. Não falei nada para a Francine.
Na terça-feira ela teve consulta com a psicóloga. Quando ela chegou em casa ao meio-dia, eu liguei para saber como foi. Ela me disse: "a psicóloga disse que eu estou toda perdida, que estou com depressão. Mas tá bom, agora eu preciso desligar porque tenho que almoçar e trabalhar". Eu tinha combinado de ir nessa consulta com ela, mas como já tinha marcado de ir na Jaira na sexta, dei uma desculpa e não fui. Não consigo sair tanto das minhas atividades, já que moro em outra cidade.
Na terça a noite ela saiu com uma amiga, não sabemos onde elas foram. Mas depois descobrimos que ela não ficou o tempo todo com essa amiga. Na verdade foi só uma desculpa para ela sair de casa.
Na quarta-feira a minha mãe falou com a psicóloga e ela disse que a Francine tinha tido uma recaída, mas havia sido um caso isolado. Que o problema dela agora era a depressão, e não a droga. A depressão precisava ser tratada. A psicóloga não percebeu que ela estava muito mal.
Na quarta-feira a noite meu irmão estava na casa dos meus pais. Ele foram ao shopping e ela não quis ir junto de forma alguma. Eles ficaram preocupados. Ele me ligou pedindo para ligar para ela e ver se estava tudo bem.
Liguei e ela me disse que ia ficar em casa porque na terça ela tinha dormido muito mal, pois estava sem o diazepam. Mas já tinha comprado e ia tomar para dormir. Perguntei se estava tudo bem e ela disse que sim, só estava cansada. Disse que queria falar com o meu marido. Pedi para ela ligar no celular dele, mas ela acabou não ligando.
Na quinta-feira meus pais disseram que foram buscá-la no trabalho para almoçar e ela estava toda atrapalhada com umas fichas que ela estava organizando. Ela dizia: eu não consigo arrumar isso, está tudo bagunçado. A noite ela ficou em casa com a minha mãe e não conseguia dormir. Ficava folheando uma revista sem prestar atenção.
Na verdade, só depois percebemos que ela usou droga durante várias vezes nessa semana. Pelas suas atitudes, pelo jeito que ela se comportou. Ela deve ter comprado uma quantidade maior e foi usando no decorrer da semana....

Beijos
Isabela

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dia 04/10

Dia 04/10

Era domingo. A Francine acordou cedo. Tomou café e deitou novamente. Ao meio-dia eu fui chamá-la dizendo que iria sair e ela ia ficar em casa com meu marido e minha filha. Ela acordou, almoçou com eles, lavou a louça e disse que tinha que ir embora, que ia para a Lagoa (Lagoa da Conceição) porque lá era muito legal e tinha bastante agito. Meu marido tentou convencê-la a ficar, mas não adiantou. Só pediu para ela ligar quando chegasse em casa. Ela chegou nos meus pais e já saiu.
Eu tinha ido para Florianópolis fazer um concurso. Quando terminou a prova, passei na casa de meus pais e eles disseram que ela tinho chego e saído. Fiquei muito preocupada. Liguei para meu  irmão pedindo para ele ir na minha casa a noite para conversarmos.
De noite, conversei com ele e decidimos que realmente ela deveria trocar de médico. Decidimos pedir ajuda para a Assistente Social que trabalha com esse outro médico, o Dr. Marcos Zaleski, a Jaira.
Os meus pais estavam esgotados. A Francine tinha pedido para eles a deixarem em paz, não ficarem mais cobrando nada dela.
Eu e meu irmão ligamos para ela a noite, ela ainda não tinha voltado para casa. Pedimos para ela ir embora porque já era tarde e nossos pais estavam preocupados. Ela disse que já iria.
Pedi para a minha mãe perceber como ela estava quando chegasse em casa. Mas ela chegou e foi direto para o quarto, de lá não saiu.
Dormi  muito preocupada naquela noite.

Beijos
Isabela

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dias 02 e 03/10

De 02 e 03/10

No sábado, dia 03 de outubro, a Francine foi para a minha casa, almoçou conosco, mas chegou tarde, quase as 14:00 hs. Ela disse que demorou porque tinha ido abastecer o carro. O meu marido acha que ela tinho ido atrás de droga. Depois eu soube por uma amiga dela, que na sexta-feira a Francine tinha usado e tinha sobrado alguma coisa. Não sei se ela usou antes de ir para a minha casa, mas ela chegou muito estranha.
Bem, almoçamos e tomamos cerveja. Ela queria beber o tempo todo. Meu marido parou de servir. Ela me disse que tinha começado a tomar fluoxetina, e eu perguntei: o médico deixa tu tomar esse remédio com bebida alcoólica? E ela me respondeu: ah, nem perguntei, não quero saber!!!
De tarde fomos para Itajaí no Chá de Panela da minha cunhada. No carro conversamos sobre a possibilidade de mudar de médico. Ela disse que não queria porque esse médico já sabia dos problemas dela. Mas eu já tinha marcado com outro médico e ela nem sabia de nada. Iria prepará-la aos poucos.
Chegando lá, ela queria beber. Mas só tinha bebida para as brincadeiras com a minha cunhada. Fiquei  indignada porque era uma sábado a tarde, ninguém estava bebendo, mas ela estava louca para beber alguma coisa.
Voltamos para Tijucas e fomos no aniversário da minha afilhada. Lá estavam todos bebendo cerveja. Ela começou a beber sem parar, um copo atrás do outro. Ela viu que eu fiz cara feia, e perguntou: estás brava comigo? Claro que sim, não estou gostando nada desse teu jeito. E ela não gostou do que eu falei.
Voltamos para casa e ela ficou conversando com meu marido, eu fui dormir.
Ele tentou se aproximar, mas ela não queria conversar muito. Ele disse assim: vamos começar a contar tudo de novo os dias que estás sem usar drogas. Em que dia estás? E ela disse: ah, nem me lembro! Porque ela não queria mentir para ele, achávamos que ela só tinha usado na semana anterior, mas na verdade ela tinha usado um dia antes.

Beijos
Isabela