domingo, 28 de novembro de 2010

Vídeo da Fran

Oi Pessoal,

Confesso que não foi fácil, porque é muito dolorido escutar a sua voz e saber que ela não está mais aqui.
Mas conseguimos e aqui está o vídeo, que foi gravado no fim de agosto de 2009. Foi uma homenagem para o meu marido em comemoração ao aniversário da empresa dele. Ela gravou o vídeo e pediu para colocarmos junto com todas as homenagens.


video

MUITA MUITA MUITA SAUDADE!!!!!!!

     Beijos
        Isabela

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Considerações Finais

Oi Pessoal,

Como vocês podem perceber a história da Francine em vida terminou. Durante esses últimos nove meses eu pude compartilhar com vocês não só a história dela, mas muito do nosso sofrimento, das nossas dores e da necessidade de ter que viver cada dia sem a sua presença.
Eu espero ter ajudado algumas pessoas, acredito que sim, pelos comentários que tenho recebido desde então. Mas para mim foi muito importante todo esse período, com certeza vocês me deram muita força para tentar superar toda essa história.
O blog superou o seu objetivo inicial. Eu esperava somente que fosse lido pelos conhecidos dela e nossos amigos. Queria mostrar quem era a verdadeira Francine, pois imagino que muitas pessoas ficaram surpresas com o que aconteceu com ela, e alguns devem ter feito comentários maldosos sobre ela, achando que era uma pessoa largada, que só queria saber de festa e incomodar a família. Pois vocês viram que essa não era a minha irmã. Ela trabalhava, era responsável, cumpria suas atividades normais diariamente. Nunca teve envolvimento com a polícia, ou com traficantes ligando para a nossa casa atrás de dívidas. Nunca foi encontrada sem rumo, na rua ou numa festa, e ligaram para meu pai ir buscá-la. Isso é o que normalmente imaginamos de uma pessoa que usa droga. Que é um irresponsável. Mas vocês viram que essa não era a Fran. E isso eu consegui mostrar no blog.
Mas superou os objetivos porque atingiu vários locais do Brasil. Até hoje tenho mais de 300 acessos diários. Mostrou para as pessoas que todos nós podemos ter uma “Fran” perto de nós, precisando de ajuda. Fiquem de olhos abertos nos seus filhos, irmãos, primos, amigos. Desconfiem ao menor sinal de que algo está errado. Tentem ajudar sempre que for necessário.
E quanto aos que se envolveram com drogas, são dependentes químicos, peço que busquem ajuda, não tentem “sair dessa” sozinhos. Dêem valor para a família e amigos. Não desistam. Isso é uma doença, não sei se tem cura, mas tem tratamento.
Ainda não consigo acreditar que não tenho mais a minha irmã. Se vocês querem saber como me sinto, pense no seu irmão, irmã, ou alguém que você gosta muito. Mesmo que você não veja, ou não fale com essa pessoa todo dia, você sabe que ela está lá, seguindo a vida dela. Agora imagina que essa pessoa não existe mais. Não precisa pensar na sua morte, só pense que ela não está mais aqui, você não pode ligar p/ saber se está tudo bem. Aposto como você está pensando: “não, não consigo imaginar isso”. É assim que me sinto, não consigo imaginar que ela não está aqui. Para mim ela está em Floripa, trabalhando, seguindo a sua vida. E de repente me vem lapsos da realidade e isso é muito triste. Preciso encarar a realidade.
Talvez eu escreva um livro, como muitos sugeriram. Mas não agora. Tenho uma vida pessoal e profissional bastante atarefada, e ainda dói muito mexer nas coisas da Francine. Mas não descarto a possibilidade, talvez daqui a um ou dois anos retome essa idéia. Por isso, para todos que me acompanharam durante todo esse tempo, gostaria que me enviassem o seu e-mail e o nome, para que eu deixe guardado e entre em contato se escrever o livro. Pode deixar no comentário, eu não publico, ou então me enviar por e-mail; isabeladeschamps@gmail.com. Se escrever o livro, não será com fins lucrativos. Se for possível, eu vou presentear os amigos, ou então vender apenas para pagar o custo.
O blog vai continuar no ar, podem escrever quando quiser, vou ler os comentários sempre que puder e publicá-los. Mas antes de terminar, ainda tenho um vídeo que quero colocar. Só não coloquei porque está nos arquivos do meu marido e ele tem que procurar. E também confesso que tenho medo da minha reação ao ver o vídeo. Mas essa semana ou na próxima eu divulgo no blog.

Mais uma vez, muito obrigada por tudo. Vocês foram anjos na minha vida!

Um grande abraço a todos
Isabela

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dia 09 de Outubro

Na sexta-feira, dia 09, eu tinha marcado a consulta com a Jaira as 11:00 hs. Combinei com meus pais e meu irmão e todos foram. Lá, conversamos sobre a situação da Francine, a recaída, o descontentamento com o médico. Combinamos com  a Jaira que aos poucos iríamos falar para a Francine que ela iria mudar de médico. Ela nos explicou muito sobre a dependência química, sobre como deveríamos agir. Na verdade, ela nos explicou muita coisa que poderia ser dita pelo médico da Francine, que nunca quis nos atender. Eu lembro muito bem que minha mãe disse assim: "eu estou com medo de sair de casa e acontecer alguma coisa ruim. Hoje nós temos compromisso, mas acho que nem vamos para não deixar a Francine sozinha". E a Jaira respondeu: "vocês não podem parar a vida de vocês, se for para ter uma overdose, vocês nem precisam sair de casa. Ela pode fazer isso com vocês estando junto." Isso que ela me falou nunca me saiu da cabeça, pois foi o que realmente aconteceu.
Saímos dali, meu pai pegou a Francine e fomos todos almoçar no Shopping Beira-Mar. Interessante porque foi um almoço onde estavam presentes nós cinco, fato que fazia muito tempo que não acontecia. Somente eu, a Fran, o Fábio e meus pais. Foi um almoço atribulado, o local estava cheio, cada um foi buscar comida num lugar. Eu estava sentada conversando com a minha mãe e meu irmão e a Fran chegou e falou: "vamos mudar de assunto porque o assunto chegou". E se sentou para comer. Eu me levantei e fui buscar a minha comida. Quando voltei, ela já tinha terminado e estava indo embora com meu pai. Eu, muito inocente, falei para a minha mãe que achava que ela estava bem. Mas meu irmão disse que dava para perceber que ela tinha cheirado pó. Meu pai a deixou de volta no traalho, e ela foi no Banco do Brasil para fazer um depósito na conta do meu irmão, de um dinheiro que ela devia para ele. Ela ligou para ele pedindo o número da conta. Depois eu soube que ela chamou o S. Hélio, patrão dela, para ir ali porque ela achava que estava sendo seguida por alguém. Ele ajudou e ela voltou para o trabalho. Lá ela começou a fazer limpeza no consultório, jogava água, dizia que tinha que limpar tudo. Eles acharam estranho. Alguns funcionários estavam olhando alguma coisa no computador e ela chegou perto e disse; vocês estão investigando a minha vida? O que vocês estão faznedo aí? O S.Hélio viu que ela não estava bem e pediu para não deixarem ela atender nenhum paciente. Ligou para o meu pai pedindo pra iem buscá-la porque viu que ela estava drogada.
Depois do almoço eu e minha mãe ficamos no shopping. Estava tudo bem, falávamos sobre o casamento do meu irmão. Comprei o sapato e mandei arrumar o vestido do casamento. Estávamos preocupadas porque a Francine não tinha visto a roupa dela ainda. Lá pelas 16:30 hs eu voltei paa Tijucas.
Quando estava no meio do caminho, meu pai ligou dizendo que tinham ligado da Pet Shop avisando que a Francine não estava bem, que era para ir buscá-la. Eu disse: "pai, pega  Francine e leva até onde o Alex (meu marido) está, eu vou ligar para ele e pedir para ele esperar e trazer a Francine para nossa casa, deixa que eu cuido dela". Meus pais acharam melhor eles ficarem com a Francine. Eu disse assim:  "então leva ela para a casa, tira a roupa dela, manda ela ficar no quarto, não deixa ela ficar com a bolsa. Não falem nada. Amanhã vocês conversam para decidir o que ela quer fazer da vida, se quer se internar novamente".
E voltei para a minha casa preocupada. Meu marido também chegou e eu fiquei tentando falar com minha mãe. Aí descobri que eles estavam na casa de uma tia nossa. Conversei com meu irmão, que já estava em Itajaí. Ele ligou para a minha mãe e nessa hora a Francine estava tendo uma convulsão. Meu irmão me ligou apavorado dizendo: "está acontencendo alguma coisa com a Francine, tu está mais perto de Florianópolis, pega o carro e corre para lá". Eu e meu marido fomos e logo que pegamos a estrada meu pai ligou chorando, desesperado, gritando o que tinha acontecido.
Não havia mais o que fazer. Meu chão caiu. Falei com o médico que tinha tentado salvá-la, mas ela teve 3 paradas cardiácas. Ele me passou o telefone da funerária que eu precisava ligar. No carro fui fazendo as ligações. Eu tremia toda, batia o queixo sem parar. Fiquei anestesiada. Não acreditava que aquilo estava acontecendo com a minha família. Chegamos no apartamento da minha tia e estavam todos muito nervosos, ela ainda estava lá. Não consegui ver o rosto dela. Chegou o IML, para buscar o corpo. Fui para a delegacia com meu marido, para a funerária. Naquela noite eu e meu marido resolvemos tudo. Até hoje não sei onde tive forças para fazer tudo o que fiz, praticamente sem derramar uma lágrima.
Fomos para a casa de meus pais, a casa cheia, o telefone tocando sem parar. Até hoje não sei como avisaram tanta gente e tão rápido. Eu só queria ficar no meu canto. Não conseguia conversar. Porque além de ter que contar para as pessoas que a Francine tinha morrido, ainda tinha que explicar o motivo, e todos ficavam chocados, porque quase ninguém sabia que ela era dependente química em tratamento. Os amigos dela diziam: não, a Fran não, A Fran é festeira, bebe todas, mas não usa droga.
Voltamos para Tijucas. Tentei descansar, mas claro que não preguei o olho. Esperei amanhecer, tomei banho, fui levar roupas para a minha filha que estava na minha cunhada. Passei na  minha sogra e só então me dei conta que tudo era verdade. Comecei a chorar  e não parei mais. Havia perdido a minha irmã para sempre. Como aceitar isso? Como contar para a minha filha que gostava tanto dela?
Fomos para Florianópolis. Meu pai e meu irmão estava resolvendo os detalhes que faltavam. O corpo só chegou as 13:00 hs, se não me engano e o enterro foi às 17:00 hs. Nunca imaginei que iria passar por isso na minha vida.
Tinha muita gente, mas não sei se algum amigo dela que também era usuário foi ao enterro. O cara do restaurante acho que não foi. Não sei se o menino que ela tinha saído algumas vezes, o Adriano, esteve lá.
O ex-namorado dela estava inconsolável. Se sentia culpado por ter acontecido tudo isso. Mas de forma alguma ele pode ser culpado. Foi um namoro longo, de 4 anos, mas que infelizmente não deu certo. Os dois tinham gênio forte. Não deu, cada um foi para o seu lado seguir sua vida, o problema é que ela se envolveu com pessoas erradas, que mostraram uma "solução" para a tristeza dela, que acabou levando ao fim de sua vida.
Perdi minha irmã com 26 anos de idade para as drogas. Isso é terrível! Nos sentimos impotentes diante dessa situação.
Não deixem que isso aconteça com a família de vocês! Quem está passando por algum problema, por favor, busque ajuda. Não desista de viver. Todos nós somos importantes!

Um grande abraço
Isabela

terça-feira, 9 de novembro de 2010

De 5 a 8 de outubro

Na segunda-feira, dia 05/10, liguei para a Jaira, assistente social que trabalha com o Dr. Marcos Zaleski, marcando uma consulta para o dia 09, sexta-feira. Não falei nada para a Francine.
Na terça-feira ela teve consulta com a psicóloga. Quando ela chegou em casa ao meio-dia, eu liguei para saber como foi. Ela me disse: "a psicóloga disse que eu estou toda perdida, que estou com depressão. Mas tá bom, agora eu preciso desligar porque tenho que almoçar e trabalhar". Eu tinha combinado de ir nessa consulta com ela, mas como já tinha marcado de ir na Jaira na sexta, dei uma desculpa e não fui. Não consigo sair tanto das minhas atividades, já que moro em outra cidade.
Na terça a noite ela saiu com uma amiga, não sabemos onde elas foram. Mas depois descobrimos que ela não ficou o tempo todo com essa amiga. Na verdade foi só uma desculpa para ela sair de casa.
Na quarta-feira a minha mãe falou com a psicóloga e ela disse que a Francine tinha tido uma recaída, mas havia sido um caso isolado. Que o problema dela agora era a depressão, e não a droga. A depressão precisava ser tratada. A psicóloga não percebeu que ela estava muito mal.
Na quarta-feira a noite meu irmão estava na casa dos meus pais. Ele foram ao shopping e ela não quis ir junto de forma alguma. Eles ficaram preocupados. Ele me ligou pedindo para ligar para ela e ver se estava tudo bem.
Liguei e ela me disse que ia ficar em casa porque na terça ela tinha dormido muito mal, pois estava sem o diazepam. Mas já tinha comprado e ia tomar para dormir. Perguntei se estava tudo bem e ela disse que sim, só estava cansada. Disse que queria falar com o meu marido. Pedi para ela ligar no celular dele, mas ela acabou não ligando.
Na quinta-feira meus pais disseram que foram buscá-la no trabalho para almoçar e ela estava toda atrapalhada com umas fichas que ela estava organizando. Ela dizia: eu não consigo arrumar isso, está tudo bagunçado. A noite ela ficou em casa com a minha mãe e não conseguia dormir. Ficava folheando uma revista sem prestar atenção.
Na verdade, só depois percebemos que ela usou droga durante várias vezes nessa semana. Pelas suas atitudes, pelo jeito que ela se comportou. Ela deve ter comprado uma quantidade maior e foi usando no decorrer da semana....

Beijos
Isabela

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dia 04/10

Dia 04/10

Era domingo. A Francine acordou cedo. Tomou café e deitou novamente. Ao meio-dia eu fui chamá-la dizendo que iria sair e ela ia ficar em casa com meu marido e minha filha. Ela acordou, almoçou com eles, lavou a louça e disse que tinha que ir embora, que ia para a Lagoa (Lagoa da Conceição) porque lá era muito legal e tinha bastante agito. Meu marido tentou convencê-la a ficar, mas não adiantou. Só pediu para ela ligar quando chegasse em casa. Ela chegou nos meus pais e já saiu.
Eu tinha ido para Florianópolis fazer um concurso. Quando terminou a prova, passei na casa de meus pais e eles disseram que ela tinho chego e saído. Fiquei muito preocupada. Liguei para meu  irmão pedindo para ele ir na minha casa a noite para conversarmos.
De noite, conversei com ele e decidimos que realmente ela deveria trocar de médico. Decidimos pedir ajuda para a Assistente Social que trabalha com esse outro médico, o Dr. Marcos Zaleski, a Jaira.
Os meus pais estavam esgotados. A Francine tinha pedido para eles a deixarem em paz, não ficarem mais cobrando nada dela.
Eu e meu irmão ligamos para ela a noite, ela ainda não tinha voltado para casa. Pedimos para ela ir embora porque já era tarde e nossos pais estavam preocupados. Ela disse que já iria.
Pedi para a minha mãe perceber como ela estava quando chegasse em casa. Mas ela chegou e foi direto para o quarto, de lá não saiu.
Dormi  muito preocupada naquela noite.

Beijos
Isabela

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dias 02 e 03/10

De 02 e 03/10

No sábado, dia 03 de outubro, a Francine foi para a minha casa, almoçou conosco, mas chegou tarde, quase as 14:00 hs. Ela disse que demorou porque tinha ido abastecer o carro. O meu marido acha que ela tinho ido atrás de droga. Depois eu soube por uma amiga dela, que na sexta-feira a Francine tinha usado e tinha sobrado alguma coisa. Não sei se ela usou antes de ir para a minha casa, mas ela chegou muito estranha.
Bem, almoçamos e tomamos cerveja. Ela queria beber o tempo todo. Meu marido parou de servir. Ela me disse que tinha começado a tomar fluoxetina, e eu perguntei: o médico deixa tu tomar esse remédio com bebida alcoólica? E ela me respondeu: ah, nem perguntei, não quero saber!!!
De tarde fomos para Itajaí no Chá de Panela da minha cunhada. No carro conversamos sobre a possibilidade de mudar de médico. Ela disse que não queria porque esse médico já sabia dos problemas dela. Mas eu já tinha marcado com outro médico e ela nem sabia de nada. Iria prepará-la aos poucos.
Chegando lá, ela queria beber. Mas só tinha bebida para as brincadeiras com a minha cunhada. Fiquei  indignada porque era uma sábado a tarde, ninguém estava bebendo, mas ela estava louca para beber alguma coisa.
Voltamos para Tijucas e fomos no aniversário da minha afilhada. Lá estavam todos bebendo cerveja. Ela começou a beber sem parar, um copo atrás do outro. Ela viu que eu fiz cara feia, e perguntou: estás brava comigo? Claro que sim, não estou gostando nada desse teu jeito. E ela não gostou do que eu falei.
Voltamos para casa e ela ficou conversando com meu marido, eu fui dormir.
Ele tentou se aproximar, mas ela não queria conversar muito. Ele disse assim: vamos começar a contar tudo de novo os dias que estás sem usar drogas. Em que dia estás? E ela disse: ah, nem me lembro! Porque ela não queria mentir para ele, achávamos que ela só tinha usado na semana anterior, mas na verdade ela tinha usado um dia antes.

Beijos
Isabela

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dia 28/09 e 01/10

Dia 28/09 a 01/10

Na segunda-feira, dia 28, eu liguei para o consultório do médico dela e me disseram que ele estava atendendo na clínica. Liguei lá e ele ainda não havia chego. Disse para a moça que atendeu que eu precisava muito falar com ele, que era a irmã de uma paciente dele. Ela me disse que ele estava cheio de pacientes para atender, não sabia se poderia falar comigo. Então expliquei a situação para ela, disse que a Francine tinha tido uma recaída, mas ninguém sabia e eu precisava saber como deveriamos agir. Ela disse que falaria com ele. No fim da tarde ela (uma pessoa que atende na recepção da clínica) me ligou dizendo que o Dr. não poderia falar comigo porque estava muito ocupado, mas que como a Francine tinha consulta naquela semana, era para eu insistir para ela não faltar, que lá ele iria conversar com ela. Bem, ele não me atendeu.
Na quarta ela teve consulta. Na quinta de manhã, entrou no msn para conversar com meu marido. Ela perguntou a ele: por que tu falasse para a Isabela que eu tive uma recaída? Ele respondeu: eu não falei nada, . E a Fran: mas o médico disse que ela tentou falar com ele na segunda. E meu marido: eu não sei disso. A Francine disse: o Dr. disse que a minha irmã estava atrás dele, mas que ele não tem nada a ver com a Isabela, porque a paciente dele sou eu e não ela. E meu marido falou:  todo mundo está desconfiado porque estavas muito estranaha no fim de semana, mas e não sei de nada dessa ligação.
Vocês acreditam que um profissional tenha falado isso? Como ela ia adivinhar que eu liguei para o médico? E a Francine, que confiava no meu marido, passou a não contar mais nada a ele. Ele insistia, mas ela se fechou novamente. Ela contou como foi a consulta. Tem uma parte dela que ficou gravada, vou mostrar:

01/10/2009 10:43:47 francine oi
01/10/2009 10:43:53 francine meu medico receitou antidepressivo
01/10/2009 10:44:24 francine comecei hj
01/10/2009 10:44:57 francine vou sabado prai pra ir no cha de panela da rafaela com a isabela e volto no domingo
01/10/2009 10:50:36 Alex oi Fran
01/10/2009 10:50:59 Alex fiquei curioso
01/10/2009 10:51:15 francine ele me deu um esporro
01/10/2009 10:51:16 Alex queria te ligar ontem, mas a isabela ia querer saber
01/10/2009 10:51:27 Alex contasse pra ele?
01/10/2009 10:51:30 francine oooooooooo esporro basico, do tipo dele, bem grosso
01/10/2009 10:51:35 francine contei neh
01/10/2009 10:51:38 francine ele jah sabia
01/10/2009 10:51:44 francine ele sabe
01/10/2009 10:51:57 Alex como sabia?
01/10/2009 10:52:02 francine ele sabe neh
01/10/2009 10:52:09 francine pelo meu jeito
01/10/2009 10:52:17 Alex sei..
01/10/2009 10:52:25 francine ele viu q eu tava mudada
01/10/2009 10:52:27 francine dai chorei
01/10/2009 10:52:36 francine mas disse q nao tava arrependida
01/10/2009 10:52:37 Alex ele disse que é normal?
01/10/2009 10:52:42 francine q nao fez diferenca nenhuma pra mim
01/10/2009 10:52:48 francine ele disse q demorou
01/10/2009 10:52:55 francine qd contei ele assim
01/10/2009 10:53:02 francine ahhhhhhhhhhhhhhhh ateh q enfim: demorou
01/10/2009 10:53:19 francine dai ele disse o pq:
01/10/2009 10:53:58 francine pq eu kis comecar a beber antes, a passar as consultas a 1x por mes
01/10/2009 10:54:27 francine PQ EU KIS ANTECIPAR TD, COMO SE TIVESSE TD NORMAL E EH CLARO Q UMA HORA EU IA KERER
01/10/2009 10:54:43 Alex ele disse que demorou tu ter a recaída,?
01/10/2009 10:54:49 francine eh
01/10/2009 10:54:58 francine disse q eu tava de parabens
01/10/2009 10:55:04 Alex que bom então
01/10/2009 10:55:04 francine q demorei pra ter
01/10/2009 10:55:13 francine pq eu kis td mt rapido
01/10/2009 10:55:44 francine voltar minha vida normal, beber sair, consultar 1x por mes, nao seguir a terapia direito
01/10/2009 10:55:51 francine entao uma hora eu ia cair mesmo
01/10/2009 10:55:54 francine q eh normal
01/10/2009 10:56:02 francine mas agora era comigo
01/10/2009 10:56:08 francine eu q tinha q fazer a minha escolha
01/10/2009 10:56:45 francine eu disse q estava extremamente estressada
01/10/2009 10:56:52 francine cansada
01/10/2009 10:56:55 francine confusa
01/10/2009 10:56:58 francine depressiva
01/10/2009 10:57:13 francine e foi de uma hora para outra, q nao adiantava eu me enganar q tava td bem pq nao tava
01/10/2009 10:57:23 francine q a pressao tava grande
01/10/2009 10:57:32 francine q eu tava de saco cheio de td
01/10/2009 10:57:41 francine q nao sei como aguentei tanto tempo
01/10/2009 10:57:49 Alex sei
01/10/2009 10:58:00 francine dai ele disse: e teus pai? vao me perguntar
01/10/2009 10:58:19 francine e eu disse: e por kestao de etica tu nunca vais falar
01/10/2009 10:58:52 Alex e ele vai mandar tu parar de beber?
01/10/2009 10:58:58 Alex de sair?
01/10/2009 10:59:05 Alex como vai ficar agora?
01/10/2009 10:59:27 francine Ele disse: como vai ficar tua vida? tens q seguir como tavas seguindo, forca
01/10/2009 10:59:32 francine eskece td isso
01/10/2009 10:59:51 francine tas guardando dinheiro?nao keres ter tua vida?entao continua como antes
01/10/2009 10:59:58 francine foi soh um deslize
01/10/2009 11:00:12 francine e antes de ir entregar dinheiro pra traficante vem aki e faz uma consulta
01/10/2009 11:00:14 francine hashahaha
01/10/2009 11:00:42 Alex que bom ouvir isso
01/10/2009 11:00:55 Alex acho que ele deve saber o que está te falando
01/10/2009 11:01:12 Alex deves ver como está a tua cabeça
01/10/2009 11:01:18 francine eu nao....to aki pra te ajudar
01/10/2009 11:01:37 francine vc eh bonita, inteligente, medica veterinaria, nao eh uma cheiradora
01/10/2009 11:02:05 francine ou vc ker viver com seus pais ateh os 40 e pokos anos e pelo menos 2x ao ano eles estao levando o filhinho pra internacao
01/10/2009 11:02:18 Alex interessante
01/10/2009 11:03:00 Alex com esse remédio vais suportar melhor, vai enfrentar melhor as crises
01/10/2009 11:03:07 Alex outra coisa
01/10/2009 11:03:18 Alex podes me ligar também Fran
01/10/2009 11:03:34 francine dai ele assim...guarda dinheiro, segue tua vida normal, to aki pra te ajudar, q bom q tens teu cunhado pra contar(pq eu disse q contei pra ti)
01/10/2009 11:03:53 francine e disse q minha familia ia morrer desconfiando

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Semana do dia 21 a 27 de setembro

Semana do dia 21 a 27 de setembro

Na sexta-feira, dia 25/09, foi a primeira aula de uma pós-graduação em Felinos que a Fran começou a fazer. Eu estava em Floripa e liguei para ela convidando-a para jantar conosco. Ela disse que se resolvesse ir, ligaria. Percebi que não queria sair conosco. Fomos jantar e ela falou com a minha mãe no telefone, inventou uma história que estava na casa de uma cliente atendendo o animal dela. Chegou tarde nesse dia. No dia seguinte, sábado, teve aula o dia todo, depois saiu a noite. No domingo teve aula e a tarde saiu, chegou em casa no fim da tarde, estranha, eu estava lá, mas ela quase não conversou. Voltei para casa. Quando cheguei, meu marido estava apavorado porque ela tinha ligado para ele.
Ela ligou para dizer assim: estou ligando porque a mãe pediu para avisar que a Isabela já saiu daqui, então em 40 minutos ela deve estar em casa. E meu marido perguntou: está tudo bem? E ela começou a chorar. Disse que ninguém gostava dela, que tinha alguém a perseguindo. Ele pressionou e ela confessou: tinha tido uma recaída. Disse que não agüentou e comprou pó na quinta-feira, usou na sexta e no sábado. Mas ele percebeu na conversa que ela tinha usado naquele dia. Ele tentou acalmá-la. Ela o fez prometer que não ia me contar o que havia acontecido. Ele disse para ela ter calma, não desistir, começar a contar os dias novamente. Ela perguntou a ele se deveria contar ao médico. Ele disse: claro, você não pode esconder isso do médico, ele vai te ajudar. Ele pediu para ela ligar caso tivesse vontade de usar de novo, para eles conversarem até ela se acalmar. Ele foi muito compreensivo e se mostrou muito aberto a ajudar. Na verdade eles sempre se deram muito bem, ela confiava muito nele.
Claro que ele me contou tudo quando eu cheguei em casa, com isso não dá para brincar. E eu decidi ligar para o médico no dia seguinte....

Beijos
Isabela

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Do dia 14 ao dia 20 de setembro

Semana do dia 14 a 20 de setembro


Durante a semana eu conversei com a Francine sobre o fato de ela estar indo pouco na psicóloga. Disse que ela deveria ir toda semana, e não de 15 em 15 dias como ela tinha começado a ir.
Na sexta-feira, dia 18, nós fomos a Florianópolis pois iríamos a um show. A Francine estava em casa nesse dia e não saiu. Dormimos na minha mãe. No dia seguinte, sábado, eu liguei para ela no trabalho, convidando-a para ir ao shopping almoçar conosco. Ela disse que estava cansada e iria ficar em casa. Depois eu soube que ela foi para a casa do Amauri (amigo dela) a tarde. Voltou para casa, se arrumou e saiu novamente, só chegou de madrugada. Foi para a balada, provavelmente com o cara do restaurante.


Abraços
Isabela

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Semana do dia 07 a 13 de setembro

Semana do dia 07 setembro a 13 de setembro

Naquela semana depois do feriado nós nos falamos por telefone, onde ela me contou do passeio, e na sexta-feira dia 11 ela me ligou para dizer que tinha saído com o Adriano, aquele que ela estava paquerando... mas acho que o encontro não foi muito bom, aconteceram algumas coisas que ela não gostou muito.
No sábado uma prima nossa dormiu na casa dos meus pais, no quarto da Francine. A minha prima não saiu, mas a Fran saiu e voltou de madrugada. Contou para a nossa prima onde tinha ido. Encontrou o Cara do Restaurante. Eles ficaram, conversaram, a minha irmã o elogiou , disse que ele queria ficar com ela e não ia mais deixar ela usar droga (até parece, ele também é um dependente químico). A minha prima disse que ela chegou bem em casa, que viu que ela não tinha usado droga. Mas ela estava muito encantada com o cara novamente, só falando dele, e a prima foi dar conselhos, mas a Francine não gostou.
Essa história de reencontrar o tal cara a Francine não nos contou, porque sabia que seríamos contra.
No domingo teve festinha de aniversário da minha filha e a Fran queria ficar me contando de um porre que ela tomou, não sei se foi na quinta-feira anterior. Fiquei muito triste porque ela estava toda empolgada contando do porre, bem adolescente, quando a gente começa a sair e beber. Mas poxa, ela tinha 26 anos e estava em tratamento. Achei aquilo totalmente sem nexo e comecei a me preocupar muito com a situação de ela estar bebendo. Mas fiquei quieta, porque quando eu tentava entrar no assunto ela sempre me dizia que o médico tinha deixado ela beber.

Abraços
Isabela

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Semana do fim de agosto até o feriado de 7 de setembro

Olá,

Como eu comentei, não tem mais nada escrito no diário da Fran depois do dia 29/08. O que eu vou escrever aqui são lembranças nossas sobre o que aconteceu nesse último mês dela.
No fim de semana que ela foi para Iatají na casa da minha tia foi tranquilo, tudo correu bem.
Na semana seguinte era feriado de sete de setembro e ela foi com a Carol, amiga dela, e alguns amigos para a Guarda do Embaú, uma praia perto de Florianópolis. Eles se divertiram, mas ela bebeu mais do que o normal, e a Carol chamou a atenção dela, pois ficou preocupada. Claro que a Francine não gostou. Dizia para a Carol que estava muito feliz e não queria que ela estragasse essa felicidade. Mas a Carol ficou bem preocupada com ela.
Quando a Francine voltou, nós nos falamos por telefone e ela reclamou que a Carol pegou no pé dela e inventou algumas histórias. Eu sabia que quem tinha razão não era a minha irmã, e sim a amiga dela, e tentei defender a Carol, mas foi em vão. Eu percebi que a Francine tinha voltado a beber e comecei a fica muito preocupada.
Meus pais tentaram falar com o médico mas não conseguiram. Então eu liguei para a psicóloga  expliquei a situação. Disse que não entendia porque o médico havia liberado a bebida, pois ela iria ter uma recaída se continuasse desse jeito. Sabe o que ela me respondeu? "Nós estamos tratando o problema da Francine com a cocaína, nós não sabíamos que ela tinha problema com a bebida". E eu falei: mas o problema da Francine com a bebida é muito mais antigo do que com a droga, como vocês não sabem disso? E ela disse que então iria convrsar com o médico sobre a situação. Fiquei muito indignada com as palavras da psicóloga... mas foi bem isso que ela me respondeu.

Sobre os comentários do blog, gostaria de dizer que eu leio todos, mas infelizmente não consigo responder a todas as perguntas que me fazem, por falta de tempo. Mas saibam que gosto muito do que escrevem.Quando alguém conta sobre um problema com drogas dna família, sempre fico preocupada, pois sei o que é isso. E quando a pessoa é de Florianópolis, se quiser, pode me escrever um e-mail para trocarmos ideias sobre clínicas e médicos. Posso tentar ajudar. isabeladeschamps@gmail.com

Abraços
Isabela

sábado, 9 de outubro de 2010

Fotos






sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dia 29 de Agosto

Escrito por Francine:

29/08/09

Acordei as 7:20 h, tomei banho, café, arrumei todas as minhas coisas e minha mala, tomei café com a minha mãe. Meu pai me ajudou a levar as coisas no carro, me despedi e fui trabalhar. Cheguei no trabalho mais cedo do que o normal, porque agora pedi para entrar antes das 9 horas da manhã, entre 8 e 8 e meia, sem compromisso. Abasteci o carro, trabalhei feliz. Fui na outra loja do meu patrão fazer uma vacina num gato, e fiquei esperando um funcionário que iria comigo até o Ratones na casa do meu patrão pois eu iria almoçar lá e visitar o neto dele que nasceu. Fui, foi bem legal, dei risada.Tomei um energético e fui para Itajai. Liguei para o pai avisando, eram 14:40 h. Ele falou: só agora? Eu disse: é, estou saindo daqui, quando eu chegar lá eu ligo. Segui viagem. Meu carro, meu som, minha liberdade.

E essas são as últimas palavras dela no diário. Não tem mais nada escrito, termina aqui. Eu acho que ela apagou alguma coisa, porque teve a recaída uns 20 dias depois disso. Mas foi só  voltar a beber que o negócio começou a piorar. As crises de euforia e depressão ficaram mais frequentes, e ela queria sair para beber direto.
Amanhã, dia 09 de outubro faz um ano. Parece mentira. Ainda não consigo acreditar. A saudade é imensa, dá uma vontade enorme de abraçá-la, de conversar, de saber como ela está. Eu falei para a Fran que um dia a gente ia se encontrar e lembrar do passado, dar risadas de tudo o que aconteceu. Quem sabe esse dia vai chegar, em outro plano espiritual.
A minha mãe mandou rezar uma missa na Catedral de Florianópolis, amanhã as 18:15 hs. Acho que vou nessa missa. Mas meus pais vão estar em Itajaí, e vão na missa de lá, que será na Matriz as 19:30 hs. Gostaríamos que cada um mandasse rezar uma missa perto de sua casa, pedindo paz e proteção a ela.
Nas próximas semanas eu vou postar as últimas semanas dela, o que aconteceu que nós lembramos. E vou postar algumas fotos e um vídeo que eu encontrei.
Muito obrigada a todos que tem me acompanhado nesse últimos meses. Vocês não tem ideia de quanta força eu consegui pelos comentários, pelas orações de todos. Não é fácil, mas a vida continua, e precisamos tirar alguma lição disso.
Um grande beijo
De coração
Isabela





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dia 28 de Agosto

28/08/09

Sexta-feira: quero sairrrrrrrrrrrrrrrr, tomar um choopppppppppppp por favor.
No trabalho, tudo bem. Em casa também. Clima bom. Quando cheguei de noite perguntei o que eles iriam fazer, pois até chamaria eles para saírem comigo. O pai respondeu: nada, não vamos sair e acho melhor tu também  não sair hoje porque amanha tu já vai sair.
Esqueci de falar. Resolvi ir para Itajaí na casa da minha tia tomar um ar, ir sábado e voltar domingo. Tudo bem, não me revoltei por fora, mas me revoltei por dentro. Não quis discutir e aceitei numa boa. Acabei tomando meu remédio mais cedo, para esquecer, porque eu estava louca para dar uma volta, era cedo ainda. Então não tomei banho, não lavei meu rosto como de costume com todos os cremes e tals, ou seja, não me cuidei, fumei cigarro, mal comi, tomei o remédio as 20:00 h e deitei triste, tendo que aceitar a situação.
Mas ao menos não discuti. Só que perdi a vontade de fazer tudo, até de arrumar a mala.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dia 27 e Agosto

Escrito por Francine:

27/08/09

O clima na minha casa está melhor. Acordei de bom humor, feliz, está tudo bem. Fui para a consulta com o Dr. João. Contei sobre a minha cliente que eu tive ética em responder. Contei que estou melhorando, gostando mais de mim, que tive uma pequena crise de desespero ao sair no sábado porque levei um fora, mas jamais iria atrás de droga, contei tudo tudo tudo, e que realmente estou procurando o melhor caminho...ele só respondia: muito bom Francine. E eu: quando posso beber? Hahaaha Ele deixou, moderadamente, pois esse é o próximo passo, eu beber sem sentir vontade de usar drogas entende? Entendooooooooooo e vou conseguir.Trabalhei normal, feliz.
A noite depois do trabalho voltei sozinha a pé, fumando meu cigarrinho. Cheguei em casa, tomei banho e meus pais estavam esperando a turminha deles para um jogo. Café, jantar, bebida...então chamei minha amiga Carol pra ir lá também. Depois do banho perguntei para os meus pais se eles gostariam que eu ficasse na portaria do prédio recepcionando os amigos deles, pois quase todos iriam chegar no mesmo horário.Tudo certo. Fiquei na portaria, recebi todos, subi, tomei café com eles e depois minha amiga Carol chegou. Enquanto ela comia eu lavei toda a louça, estava muito feliz. Tomei meu remédio como o Dr. pediu, 3 horas antes de beber, mas fiquei com muito sono, então bebi 2 cervejas sem álcool. Eu gostaria muito de aproveitar a oportunidade de estar em casa com os meus pais, minha amiga e eles deixarem eu beber um pouco para saber que reação eu teria. Resultado: 2 goles de champagnhe e meia cerveja com álcool, com muito esforço. Achei ridículo. Queria comemorar. Minha felicidade foi indo emboraaaaaaaaaaaaaa.Calma, sei que tenho que trabalhar isso, mas não custava nada eles terem deixado, pois meia cerveja pra mim não fez nem cócegas, aliás não deu nem para sentir o gosto. E eu que esperei tanto por esse momento. Fiquei conversando com a Carol, depois ficamos na internet.Saiu o jantar. jantamos e fui levar ela em casa, sozinha com meu carro. Meu pai perguntou se eu estava bem, disse que estava tudo certo. Fui rapidinho. Quando cheguei fui direto dormir.


Quando a Francine faleceu, meus pais foram conversar com o médico dela. (Detalhe: ele várias vezes se negou a conversar com os meus pais. No máximo, minha mãe conseguia falar com a psicóloga). O Dr. João (nome fictício) disse que nunca liberou a bebida para a Francine. Isso que vocês acabaram de ler estava escrito no diário dela, que nós achamos no  seu netbook, só ela usava, ninguém tinha acesso. Será que ela ia inventar toda essa história? Impossível! Ali fica bem claro que no dia 27 de agosto, apenas dois meses e meio após ela estar de abstinência, ele deixou-a beber, jogando fora esse período de tratamento. E ele mentiu descaradamente para os meus pais. Mas a consciência dele sabe o grande erro que cometeu. A partir desse dia tudo começa a mudar e a recaída aconteceu menos de um mês depois.

Isabela

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dia 26 de Agosto

Escrito por Francine:

26/08/09

Acordei muito feliz, de bom humor....psicóloga as 11:00 h. Primeiro eu entrei, conversei com ela sobre a situação e disse que estava bem. Depois meus pais entraram. Foi o maior stress com o que eu falei e eles falaram. Resumindo, é a falta de diálogo dentro de casa. Eu tenho que entender eles e eles me entenderem, respeitando o espaço um do outro. Quando falei sobre morar sozinha.....Fica pra outra terapia porque isso é outra conversa.
Saindo de lá fui fazer o exame de urina (cocaina e maconha). O mais terrível exame que já fiz, pois esqueci de contar que ontem eu fui fazer mas não consegui, pois fica uma mulher junto no banheiro, eu tentei três vezes e não deu. Daí fui hoje e consegui muito pouco mas deu certo, que sufocoooo.Se eu tivesse bêbada nem dava bola. A tarde no trabalho fui conversar com uma cliente sobre a cachorra dela e não deu muito certo, pois eu pedi exames e expliquei tudo certinho, pois ela veio me pedir um antidepressivo porque achava que a cachorra estava com depressão. Bem, conversamos, não chegamos num acordo, mas eu não me exaltei. Fiquei na minha, completamente ética, me segurei, falei calmamente respirei fundo e não sei da onde tirei tanta calma para responder tudo o que respondi a ela, numa ética tal que precisava ser filmado, pois é difícil eu ser assim.
A psicóloga disse que já posso ir e voltar sozinha do trabalho (meu pai que perguntou).
Fui para a aula de dança, estava bom, mas não gosto do meu par que já ficou fixo e não quero. Não me sinto a vontade. Mas foi legal, ele fez a troca de pares e foi melhor. Mas se continuar assim vou ter que dar um jeito de conversar com ele.

Ela cismou de fazer o exame de urima para mostrar aos meus pais que não tinha usado droga. Ligou para o médico pedindo a requisição. Mas ela era muito engraçada, porque foi fazer o exame e não conseguia. Imaginem: ela teve que pedir dispensa no trabalho para fazer o exame, chegou lá, não fez nada e voltou para o trabalho. Logo que chegou me chamou no msn para contar: "porra, não consigo fazer xixi com alguém me olhando!!! A mulher deve achar que sou louca!!!". No dia seguinte, teve que sair de novo para tentar fazer o exame. Foi hilário! E ela contava isso rindo, achando a maior graça.
E quanto a história da cliente é muito típico da minha irmã. Sempre dava razão para os animais, quase nunca para os donos. E ai se alguém discordasse dela! Quando eu falava que ela tinha que ser mais compreensiva com os donos ela me respondia: "não adianta Isabela, eu sou assim, o que é certo é certo, o que eu sei falo na cara, não fico rodeando, faço semre o que é melhor para o animal". E a Francine era muito competente, sabia o que estava falando.

Beijos
Isabela

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dias 24 e 25 de agosto

Escrito por Francine:

24/08/09

Péssimo dia, decepção, humor horrível. Adriano veio pedir desculpas pelo msn, quase mandei a merda. Então disse que saí com um amigo e no domingo também, que não tinha problema e me botei lá em cima. Ele sentiu.


25/08/09

Acordei de bom humor, mas não falei com meus pais, fiquei o dia todo bem, relaxada, tranquila. A noite jantei e fui na minha tia com a minha mãe, então nos falamos um pouco. Assistimos a novela lá. Cheguei em casa cansada, e dormi tranquilamente.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dia 23 de Agosto

escrito por Francine:

23/08/09

Levantei as 9:00 h, comi e voltei a dormir, acordei as 11:00 h pra me arrumar. O planejado era levarmos almoço para uma tia e depois almoçarmos fora para esperar a minha irmã (minha sobrinha passou o final de semana conosco). Voltando da casa da minha tia, pedi para ficar em casa e não ir almocar fora, que eu fazia um miojo.
Fiz o miojo, fumei meu cigarro e arrumei o apartamento, limpei, guardei as coisas da Clara, tudo bem tranquila.Como se fosse meu apartamento e eu morasse sozinha nele. Foi bom para mim. Quando chegaram, eu e minha mãe brigamos, por causa da história de ontem. Ela acha que eu usei droga. Entrei em desespero, brigamos feio. Disse que iria fazer exame. Minha irmã me puxou para o quarto e conversamos....eu enlouqueci....entrei em total descontrole. Disse que não havia usado droga, que eles não estavam sabendo diferenciar, que só viam meus defeitos, que eu não sabia da onde estava tirando tanta força...minha irmã explicou dizendo que eles tem medo, que eu tinha que entender, mas eu disse que aquilo eu não iria entender. Disse que fazia todas as minhas coisas de porta aberta, deixava minha bolsa aberta e tal, que estava sendo muito forte. Odeio ser julgada por algo que não fiz. Me descontrolei. Minha irmã disse que acreditava em mim, mas tinha muito medo ainda. Eu entendo, mas eles tem que colaborar também. Fui na casa de um amigo, do Amauri, comprei minha cerveja sem álcool, cheguei lá e desabafei. Ele me conhece e sabia que eu estava falando toda a verdade. Entao ele inventou de fazer um marisco que já estava descongelado e resolveu ligar para meu pai para perguntar como fazia, se era refogado, sei lá, mas a mãe atendeu e ele começou a falar de mim, disse que eu cheguei um pouco nervosa, mas já estava calma e ele tinha certeza que eu não tinha usado nada. Depois falou com o meu pai e disse a mesma coisa e até falou que se desconfiasse de algo falaria confidencialmente com ele. Então perguntou sobre a receita.Tudo certo. Eu não pedi nada para ele ligar. Até me surpreendi que ele falou isso. Achei até que meus pais iriam gostar. Voltei cedo, não falaram nada. Fiquei de mau humor com os dois até terça a noite.


Dá para ver como era difícil lidar com ela. É isso que eu sempre quero dizer, a Francine não aceitava ser contrariada. Com tudo o que aconteceu, era normal pensarmos numa recaída. Ela ficava brava se desconfiássemos dela. Mas ela mentiu por quase um ano. Então como conquistar a confiança assim, de repente? E a cerveja sem álcool? Totalmente sem sentido, num domingo a tarde, indo na casa de um amigo. Era óbvio que ela não estava preparada para seguir a vida normalmente!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dia 22 de agosto

Escrito por Francine:

Dia 22/08/2009

Adriano ligou e combinamos de sair, fiquei arrumada e levei um fora, ligou desmarcando, me bateu um desespero enorme, vontade de sair com qualquer pessoa, beber  e desabafar. Liguei para o Amauri e  a Manu, não deu certo. Liguei para a Pati, estava na casa do namorado num churrasquinho e me chamou. Então ela foi me buscar a pé mesmo, porque era bem pertinho da minha casa, comprei 3 cervejas sem álcool, e fomos. Bebi, fumei e desabafei sobre o fora com ela. Briguei feio na minha casa, minha  mãe achou que eu estava indo atrás de drogas. Disse para eu não demorar e que ia ficar esperando eu voltar para me ver. Voltei em 1 hora. Fico muito tensa quando ela fala essas coisas, é horrível, ainda mais que não saí para buscar nada. Voltei, chorei e dormi.

Agora imaginem a cena: ela estava em tratamento, totalmente fragilizada emocionalmente e sem saber lidar com essas situações. Aí leva um fora e diz que vai sair. O que qualquer pessoa que convivia com ela no dia a dia iria pensar? Chegou a hora da recaída!!!  Foi assim que ela deu os indícios de que estava usando drogas, alguns meses antes. Saiu rapidinho um dia a noite, dizendo que iria bem rápido num amigo, realmente logo voltou, ninguém viu nada, mas não conseguiu dormir, e o chefe dela no dia seguinte ligou para a mniha mãe dizendo que ela estava com sono a manhã toda. Na época, para mim essa foi a gora d'agua, porque aí eu vi que não era brincadeira, e na semana seguinte ela confessou e logo foi internada. Mas voltando a esse dia de agosto. Era um sábado a noite. A minha filha estava na casa dos meus pais, pois estávamos viajando. Meus pais ficaram muito nervosos, sem saber o que fazer. Mas quem não ficaria???? Ela não usou droga nesse dia, eu sei disso, mas como acreditar completamente? No domingo acabou tendo uma briga feia por causa desse episódio. Ela conta a versão dela, depois eu conto a nossa.

Beijos
Isabela

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Respostas

Oi Pessoal,

Vou responder algumas perguntas que fizeram nos comentários:
Sobre se ela era adicta na época da foto anterior.
- Bem, foi nessa época que ela começou a usar, pelo que ela contou ao médico. Não sei se nesse dia havia usado. Mas achei que ela e a amiga dela estavam felizes demais, empolgadas demais, mas não desconfiei de nada, pois todos nós bebemos, e a Fran era sempre muito divertida quando saía. Mas se tivesse usado, era bem no começo, quando só usava assim para sair, e só um pouco, porque não era acostumada.
 Sobre o orkut dela.
- Ninguém tem acesso a sua senha, não sei qual era. Nem tenho acesso ao seu orkut, porque na época eu não tinha orkut  e só criei depois do seu falecimento, portanto não tenho acesso as fotos e recados dela. Preciso entrar em contato com o site para pedir liberação da senha.
Sobre o menino que ela estava saindo.
- Não culpo o cara, não o conhecia, não sei o que eles conversavam e o que passava pela cabeça dele. Só que pelo o que ela fala, dá a entender que eles estão em ritmos diferentes. Ela queria uma coisa e ele outra. Será que ele não percebeu isso? Por que será que ficou alimentando esperanças? Mas realmente não o culpo, talvez se conversasse com ele saberia o que aconteceu naquela época. É bem diferente daquele outro cara, o do restaurante, que realmente fez muito mal a ela.

Beijos a todos
Isabela

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

foto

Olá,

Recebi uma foto de uma amiga minha, que foi tirada em julho de 2008, num barzinho que nós fomos uma vez com uma turma de amigos. Estamos eu e a Francine na foto. Foi uma noite muito divertida!
Beijos
Isabela

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dia 20 de Agosto

Escrito por Francine:

20/08/09


Acordei de bom humor, fui fazer uma cirurgia, meu dia foi cansativo e puxado, fiquei feliz. Resolvi ligar para o Adriano as 4 da tarde. Não atendeu, ele me retornou quase as 5 da tarde, conversamos, ele estava na academia. Então perguntei o que ele iria fazer hoje e ele disse que ficaria de babá e bla bla bla, mas acreditei, ele não é do tipo que mente entende? Ele tinha esse compromisso, então eu disse, que penaaaaaaaaaaaaa ia te chamar pra sair para conversarmos e darmos boa risadas porque meu dia foi ótimo e estou super feliz. Daí ele disse: amanhã te ligo. Então. Pronto....................fudeu, ansiedade a mil....vai ligar ou não?Se ele não é de mentir vai ligar né? Pensamento positivo.
Cheguei em casa a mil, adrenalina lá em cima. Daí meus pais: o que queres? E eu eu respondi: tomar um chopp hahahahahahaha. Que vontade, por mim iria até sozinha mesmo, queria sair, dar uma volta, pegar meu carrinho, fumar meu cigarro, tomar meu chopp, um grupo de amigas, já que não deu certo com o Adriano. E a Pri voltou com o gatinho dela. Como estava tão cansada, resolvi tomar banho, fumei 3 cigarros antes de dormir, tomei a medicação as 21:20 hs, entrei na net e nada dele. Deitei e assisti TV até acabar o No Limite. Consegui dormir bem, mas sonhei novamente com bichos e números. Mas não foi tão perturbador assim. Consegui apagar e dormir.


Como ela andava muito carente, estava encantada com esse Adriano. Podem perceber que ela só falava dele. Mas pelo que ela conta, ele não estava muito a fim, porque estava dando um fora atrás do outro, e ela não percebia isso. Não sei se ele percebeu que ela estava em tratamento e não queria se envolver, ou se ele tinha outra pessoa. Mas acho que ele deveria ter sido honesto com ela, para não alimentar esperanças. Essa história com ele ainda dura mais quase um mês....sempre nesse rolo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dia 19 de Agosto

Escrito por Francine:

19/08/09


Pensei nele o dia inteiro novamente, mas meu astral já estava um pouco melhor e mais focado no meu trabalho. Também estou comendo mal, não sinto muita fome. A tarde comi um pedaço de cachorro quente do Imperatriz e uma banana recheada. Vontade de fumar aumentou. Muita ansiedade para ter alguém. A noite quando cheguei não jantei, fumei 2 cigarros e fui para a dança de salão. A dança foi legal, a namorada dele não estava mas mesmo assim ele não me puxou muito para dancar, apenas 1 vez. Não estou gostando do meu par, estou odiando. Coitado, ele é querido, mas não tenho nenhuma intimidade e não tá batendo entende? Estou quase desistindo, ou vou procurar outra turma. Estou odiando dançar com ele. Comi após a dança e fumei. Chegando da dança puxei assunto com o Adriano na net, ele não deu muita corda e quando perguntei o que ele iria fazer no findi ele se desconectou. Bem....relaxaaaaaaaaaaa que raiva. Dormi mal novamente, sonhos perturbadores. Números, bichos.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

livros

Oi Pessoal,

Vocês já leram o livro ou assistiram o filme "Meu nome não é Johnny"?
Eu recomendo, principalmente o livro, que é muito mais rico e completo.
Ele é uma lição de vida, principalmente para quem tem algum problema que acha difícil superar.
Conta a história de João Guilherme Estrella, um jovem de classe média alta que se torna traficante no Rio de Janeiro, nos anos 80 e 90. Conta tudo o que ele passou, desde as festas até a sua prisão num manicômio por dois anos. O livro é muito bem escrito, mas o que mais impressiona é o final, quando ele é libertado e tem que começar a vida de novo. A força de vontade dele é impressionante, o quanto ele luta para sobreviver.
Eu conversei com o João Estrella, por telefone e por e-mail. Quando falei dessa parte da história depois que ele está livre, ele me disse que na época não pensava que estava fazendo um enorme esforço,  fazia isso porque era a'única opção fora do mundo do tráfico, porque tinha que se reerguer e continuar a vida. Vale a pena ler o livro!!!!
E me perguntaram se eu já li "Férias"da Marian Keyes. Também já li, faz alguns anos, antes de eu imaginar que iria passar por tudo isso. É um livro de ficção, de uma moça que é internada para se tratar da dependência química. Lembra muito as histórias da Francine na clínica, com suas histórias divertidas.

Um grande beijo
Isabela

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dia 18 de agosto

escrito por Francine:

18/08/09


Durante o dia permaneci bem, mas pensando no Adriano o dia inteiro. Meus pais vieram me buscar as 18:30 h, me deixaram em casa e foram para uma reunião. Me bateu um desespero em casa. Fumei bastante, coração acelerado, agitada, eufórica.Falei com a minha irmã, me acalmei um pouco, mas conversamos somente sobre o final de semana. Entrava no msn e nada dele estar. Sabia que ele não iria entrar naquele dia porque ele estava em Balnaério fazendo anestesia e iria voltar tarde, eu entrava a cada meia hora para saber se ele estava no msn e nada. Fquei desesperada. Então não sei se foi a agonia de ficar em casa sozinha.,a agonia de não falar com ele, a agonia de querer vê-lo. Tudo misturado. Resultado: comecei a chorar, li a bíblia e mais um pouco do livro Anjos Caidos. Meus pais chegaram, me viram chorando perguntaram o porque. Eu disse que não sabia que estava com vontade de chorar, dai minha mãe disse: ninguém chora sem motivo, eu disse para me deixar em paz com meus sentimentos.Ahhhhhhhh, a tarde cheguei a ligar para minha tia que é espirita para ela rezar por mim, isso no final da tarde aqui do trabalho mesmo, porque foi quando comecei a ficar ruim. Dormi mal, sonhos esquisitos. Tenho tido muitos sonhos com números e bichos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dia 17 de Agosto

Escrito por Francine:

17/08/09

Passei o dia deprimida, triste. A noite conversei com ele no msn. Ele disse que realmente não tinha como ter saído comigo no domingo. Eu disse que entendia, imagina. Daí disse que adorei ter encontrado ele no sábado e ele disse que também gostou. Então comecei meio que a desabafar, disse que achava que ele estava com outra lá, por isso não dei muita bola no começo, porque fiquei com vergonha, e ele falou assim: mesmo se eu tivesse você é minha amiga. Eu repondi: é lógico, eu não sou crianca né? Até parece, mas estava só com receio. Então contei um pouco da minha vida para ele ficar um pouco despreocupado em relação a isso, querendo dizer para ele que não iria grudar entende? Que tanto eu como ele mesmo falou, está aproveitando mttttttttttttttttttttttttt t(mas na verdade eu não estou) mas quis fazer entender que estava, dentro do meu possível pois ele sabe da minha depressão (e não outra dependência). Quando contei sobre relacionamentos ele disse: relaxa, o que tiver que acontecer vai acontecer. Você sabe que tem um amigo aqui mais do que íntimo hahahaha! Ok. Ele disse que tinha bastante trabalho até quarta. Bem, a conversa ficou por aí.



Essa foto é na nossa última viagem de navio, quando estávamos saindo de Salvador

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dia 16 de Agosto

Escrito por Francine:

16/08/09


Liguei para ele de tarde, perguntei o que estava fazendo, ele disse que estavam fazendo um churrasco no prédio onde ele mora, estava lavando o carro e já tinha ido surfar, por que? Eu disse: porque iria te chamar para dar uma volta. Ele respondeu: hoje não tem como e eu disse, tudo bem, sem problemas, combinamos outro dia. Beijos. Prontoooooooooooooooo depressão gerallllllllllllllllllllllllllll. Fui na casa de um amigo a tarde, conversei com ele, desabafei um pouco, mas não adiantou muito. Cheguei em casa triste.

No começo ele tinha dado em cima dela. Mas ela não estava a fim. Depois que eles ficaram naquele dia, ela se empolgou, mas acho que aí ele não estava mais muito a fim. Porque depois vão ter algumas situações em que ele desmarca um encontro, e depois dá a entender que não quer muita coisa com ela. Não sabemos o que aconteceu. Se ele percebeu que ela era dependente química em tratamento e não quis se envolver, ou se era um sacana mesmo. Não o conheci, não sei se foi ao enterro. E ela era assim, como estava muito carente, ficou toda empolgada, mas estava muito frágil, então qualquer coisa era motivo para entrar em depressão.

Beijos
Isabela

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dia 15 de agosto

Escrito por Francine:

Dia 15/08/09


Falei com uma antiga amiga que fez pós-graduação comigo, resolvemos sair a tarde para dar uma volta. Como fui trabalhar até meio dia e meia, cheguei a tarde em casa e queria sair, estava um dia lindo, queria passear, mas que amigas? Liguei para a Pri e ela tinha brigado com o gatinho dela um dia antes. Então ela passou para me buscar no final da tarde e fomos dar uma volta na Lagoa. Contou sobre a situação dela com ele e eu contei sobre a minha vida e ela disse que já estava desconfiada, desabafei, contei tudo. Fiquei meio assim: acho que minha mãe andou falando com ela e com outra amiga minha da pós, a Paola e contaram para minha mãe. Porque enquanto eu contava, ela parecia não se surpreender muito, parecia que já sabia. Ela disse que não contou nada para a minha mãe mas a Paola ela não sabe. Eu achei errado. Eu disse para ela...se vocês estavam vendo que eu estava precisando de ajuda poderiam ter vindo conversar comigo primeiro e ela disse que eu nunca atendia o telefone. Então que desse um jeito, mandasse uma mensagem, sei lá. Mas como amigas poderiam ter vindo conversar comigo primeiro para saber o que estava realmente acontecendo e dizer que já estavam sabendo de alguma coisa. Bem, passou. Resolvemos ir na Pacha. Estava morrendo de vontade, era festa eletrônica. Antes disso, quando voltamos da Lagoa a Pri me deixou no Golden café, meus pais estavam lá. Contei que tinha a Pacha e perguntei se poderia ir com a Pri, ela que iria de carro, tudo ok. Comprei os ingressos e jantei ali com eles e mais um casal de amigos deles, comprei um vestido pra sair. Em casa me arrumei bem empolgada, me achei bem linda, a Pri passou lá e fomos, era quase uma hora da manhã. Tomei energético. Quando chegamos a festa estava bombando, muita gente, lotado, dançamos bastante, demos muita risada. Disse para ela não se preocupar comigo, não ficar perguntando coisas, que se eu não estivesse legal eu falaria e que eu não iria fazer nada de errado e se eu visse qualquer situação falaria para ela me ajudar. Não precisei falar nada, me senti super bem. Mais de 70% das pessoas tinham tomado ecstasy, só pela fisionomia eu já sei. Outras cheiradas e outras bêbadas. Acho que eu e a Pri éramos as únicas sóbrias. Fui muito cantada mas não me sentia a vontade para conversar com nenhum cara e também não fui com a cara de nenhum.Uns até fui um pouco grossa. Dancei bastante, demos risada. A minha amiga estava um pouco chateada porque tinha brigado com o gatinho dela e disse que sé estava lá por mim. Eram quase 3 horas da manhã, encontro com o Adriano, comecei a tremer e não parei mais. Fiquei nervosa. Ele assim: ia te chamar amanhã para sair comigo. E eu fiquei bem quietinha quanto ao celular porque já estava ativado e não liguei para ele. Então dançamos, ele me pareceu outra pessoa daquela que conheci a primeira vez, estava mais solto, feliz e quando fui comprar o energético fui sozinha, ele foi atrás e ficamos, foi muito bom, mas eu estava tremendo da cabeça aos pés, não conseguia nem beijar direito. Ele me tratou super bem, me abraçou com vontade e carinho, dava para sentir. Eu me senti apaixonada. Deu 4 horas, resolvi ir embora porque estava muito muito cansada. Tudo bem, quando entrei no carro estava exausta. Agradeci pela noite, fiquei muito feliz, fui embora feliz e não consegui dormir direito. Fiquei pensando nele o tempo inteiro.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sobre a Deschopada

Oi Pessoal,

Nesse intervalo de uma semana que não tenho nada registrado, talvez ela tenha apagado mesmo, por quem sabe ter palavras duras falando da revolta dela comigo e com o meu irmão. É que foi numa semana em que estávamos brigando porque ia ter aquela festa da família, a "deschopada", onde os primos se reúnem num dia inteiro de festa, e é claro, sempre tem bastante bebida. Nós não queríamos que ela fosse, porque sabíamos que ela estava em tratamento, e a família não sabia, e iriam insistir para ela beber. Mas ela só falava disso, seria o primeiro fim de semana de uma pós que ela iria começar, em felinos, mas ela já havia até mandado um e-mail para lá dizendo que iria precisar faltar. Eu entrava no msn e ela já me chamava para falar da festa. Eu dizia: "Por favor Francine, nós estamos no começo da semana, eu estou cheia de trabalho, não consigo nem pensar em festa numa hora dessas , será que não tem como tu esquecer um pouco isso e trabalhar?" Imagina, uma segunda-feira, a pessoa querendo trabalhar e outra falando de festa o tempo todo. Ela falava dessa festa todo dia. Rolava um e-mail entre os primos, e ela era a que mais escrevia. Era complicado, ela em tratamento, como nós iríamos ficar tranquilos? Eu não sabia mais o que fazer com tanta insistência!
Então, nessa época ela trocou uns e-mails com uma prima nossa, a única que sabia do problema dela. Mostra como ela estava revoltada com toda a situação, e a nossa prima tenta acalmá-la. Vou colocar abaixo o que a Francine escreveu para a Paola

Dia 10/08

PAOLA, POR MOTIVOS OBVIOS, NA DESCHOPADA, NAO VOU COMPARECER OK?ASSIM EVITO MAIORES ATRITOS COM MINHA FAMILA.TENHO 2 CONSULTAS ATÉ LÁ, COM CERTEZA MINHA MEDICAÇÃO JÁ VAI DIMINUIR, ESTOU MUITO MELHOR E ATÉ A DESCHOPADA VÃO SER 77 DIAS SEM BEBER, O MÉDICO IRIA ME LIBERAR E TIRAR A MEDICAÇÃO PELO MEU ESFORCO E O TRATAMENTO ESTAR CORRETO. NÃO VOU FAZER NENHUMA CAGADA MAS ESTOU REVOLTADISSIMA. MEUS IRMAOS NAO QUEREM QUE EU VÁ, ACHAM MELHOR, ENTÃO VOU ESTRAGAR A FESTA DELES E É CAPAZ DE VIREM EMBORA CEDO POR MINHA CAUSA, ENTÃO EU ESCOLHI FICAR POR AQUI, E ALIÁS NÃO TENHO NEM COMO IR. QUERO QUE ELES SE FODAM. PELOs MEUS PAIS EU IRIA, MAS NAO QUERO CAUSAR ATRITO ENTENDE? ESTOU ME COMPORTANDO E SÓ EU SEI TUDO O QUE ESTÁ PASSANDO PELA MINHA CABEÇA E O QUANTO ESSE TRATAMENTO FOI DIFICIL PRA MIM, MAS HOJE ME CONSIDERO UMA VENCEDORA E MESMO REVOLTADA SEI QUE NAO VOU FAZER NENHUMA MERDA , NÃO SE PREOCUPA, MAS VOU NA MINHA AULA NORMALMENTE E SAIO AQUI NO SÁBADO A NOITE PARA ME DIVERTIR. ESPERO QUE ENTENDAS E NAO FALA PRA NINGÚEM. PRINCIPALMENTE PARA OS MEUS IRMAOS. EU ESTOU ÓTIMA....UMA HORA O CLIMA VOLTA AO NORMAL ENTENDE?O PAI E A MAE QUE ESTÃO COMIGO O TEMPO INTEIRO SABEM TUDO O QUE ESTOU PASSANDO E ME ACOMPANHANDO NOS MEDICOS. NÃO INSISTA MAIS, DEIXA QUIETO E FAZ ISSO POR MIM.

E a Paola respondeu para a Francine:

Poxa Fran, estou de cara mesmo...
Eu até entendo a preocupação deles, e mais uma prova do teu comprometimento é estar aceitando isso, mesmo revoltada e sem concordar.
Deixa isso quieto agora, tem três semanas até lá. Não fala mais sobre o assunto, não briga, fica bem na tua e vive a tua vida. Faz as coisas que tu tem que fazer, se comporta. Mas isso tudo não pensando nos teus irmãos nem nos teus pais, mas sim em vc mesma. Vc está num ponto da sua vida que não tem que provar nada para nenhuma pessoa alem de vc. Chega de se preocupar com o que os outros vão pensar, com o que os outros vão dizer.
O teu vicio, que a tua dependência é quimica, vai mesmo demorar um tempo até vc estar mesmo forte e recuperada. vc sabe que nao é pq passou um mês lá, e está há dois meses se tratando e SE RESPEITANDO que está curada. infelizmente, você deu para o seu cérebro uma série de sensações das quais ele vai sentir falta. "A MENTE MENTE". Quando menos se espera a tua mente pode criar armadilhas e te convencer que está forte, que vai ser só dessa vez. E é nessas horas que o bicho pega. É nessas horas que você precisa estar rodeada de pessoas legais e que não vão te dar chance de se dopar de novo...
 
A  Paola foi muito legal, porque era uma pessoa que ela podia se abrir. Mas quando alguém não quer dar ouvidos a conselhos dos outros, de nada adianta. E não pode achar que podia ter feito mais, foi o dependente que não quis ouvir. Quantas vezes eu já pensei que podia ter feito mais, que poderia ter evitado tudo isso? Mas ao mesmo tempo eu vejo que fiz tudo o que estava ao meu alcance. Ligava, conversava, chamava para vir ficar na minha casa. E brigava sim, não dava para ficar passando a mão na cabeça, porque ela sempre se fazia de vítima. Nunca vamos descobrir qual seria a fórmula correta!
 
Beijos
Isabela

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Dia 13 de agosto

Escrito por Francine:

13/08/09


Falei com o Adriano (nome fictício) no Msn e ele me convidou para dar uma volta no sábado ou domingo, eu disse que estava sem celular e que ativaria ele na sexta e então mandaria uma mensagem com o meu número para ele. Ativei o celular e não mandei nada, resolvi não ligar também.

Ela deixou um espaço de uma semana para escrever novamente. Não sei se apagou ou se foi isso mesmo que aconteceu. Ela havia conhecido uma pessoa, que eu troquei o nome. Eu não o conheço, somente  sei o nome e o que ela me contava. Parece que ele andou a procurando para sair, mas eles eram muito diferentes e no começo ela não quis nada com ele. Mas depois eles se conheceram melhor e ela começou a se interessar. Nesse último mês ela fala bastanate desse cara.

Abraços
Isabela

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dia 05 de agosto

Escrito por Francine:

Dia 05/08/2009

Acordei com muito sono, não muito disposta. Logo depois já fiquei disposta, tomei meu depakote e fiquei bem de manhã.Cheguei empolgada no almoço, comi bastante, fumei um cigarro, dormi 1 hora, acordei, fui ao banheiro, e fumei outro cigarro, meu pai reclamou (outro cigarro?????) respondi: ai paiiiiiiiiii. Agora estou aqui trabalhando, caí numa depressão, vontade de ficar embaixo das cobertas e me esconder, chorar, ou não chorar, não sei....deprê! Queria fumar mais cigarro. Agora eu escrevendo parece que relaxa.


“O Auto-Retrato”

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore…
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança…
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão…
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança…
Corrigido por um louco!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dia 4 de agosto

Escrito por Francine:

Dia 04/08/2009

Segundo dia deTPM, ontem estava pior, bem mais mal humorada. Hoje estou com um sentimento que não consigo descrever, será fissura? Mas não tenho a vontade de ir atrás, será vontade de comer doce? Muita muita vontade de fumar um cigarro, um não, vários e tomar uma café, são 15 e 35 e só vou poder fazer isso daqui a 3 horas, estou agoniada, muito agoniada. Não sei se resolveria meu problema tomando um diazepam. Mas estou em horário de trabalho e está um pouco parado aqui, vai ver é por isso. Não sei descrever o que estou sentindo. Será pela TPM? Angústia? Fissura? Não sei....também não dá vontade de chorar. Sentimento esquisito esse. Não, não é por causa da festa que estou assim, Quanto a festa estou segura. Acho que é de fumar um cigarro e não poder. Tenho que aguentar 3 horas. Estou agoniada sabe pra que? Para ir na dança de salão amanhã. Não vejo a hora. Dancar, dancar dancar....como posso gostar tanto? Adrenalina? Libera? Estou sentindo falta de fazer mais coisas durante a semana. Tenho que procurar Pilates urgente. Assim desgasta um pouco. Nos últimos 3 dias me senti muito enjoada. E estou com muita dificuldade de ir ao banheiro. Não consigo todos os dias. Peguei gripe, tosse com catarro e agora estou melhor, quase 2 semanas, mas emagreci 5 kg desde o dia 11 de julho. Enjoada e dor abdominal. Tomei vermifugo 5 dias seguidos (albendazol) do dia 21 ao 25 de julho. Tomei 3 dias de azitromicina dia 30, 1 e 2/08, foi assim que melhorou meu catarro e já estava surda há 2 semanas. Uma vez me deu os mesmos sintomas e o médico disse que era catarro no ouvido. Melhorou. Mas estou enjoada. Diarreia não tive (as vezes que consegui ir ao banheiro). Ai que agonia, não consigo distinguir o que estou sentindo.

Eu me estressei com uma cliente nova, mas fui educada. Conversando com ela, ela falou da pinscher que já tem13 anos e me mostrou uma bola que tem na mama (tumor mamário grande), eu disse que precisaria fazer exame de sangue e a retirada do tumor o mais breve possível e hoje o método mais utilizado é a retirada de todas as mamas de um lado e depois outra cirurgia com a retirada de todas as mamas do outro lado (uma mastectomia total), porque volta sim, em outra mama e tudo mais....sem falar no ultrasom abdominal para saber se não está com tumor em algum outro orgão....dai a cliente respondeu: é.....tem tanta gente que fala para não tirar, que é para deixar assim que é melhor porque senão volta, tem tanta gente que diz que não é para mexer, e tem tanta gente que diz que é perigoso a anestesia (sendo que também expliquei sobre a anestesia que seria a mais segura, a inalatória), também disse sobre os dentes da cadela e do olho, ou seja avisei que ela está com 13 anos, mas nem por isso tem que deixar assim porque tudo tem um tratamento e ela pode dar uma qualidade de vida bem melhor pra cachorra dela que com certeza está sentindo dor.....; a cliente: é, vou pensar, porque tem tanta gente que fala.......aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii me deu vontade de dar um grito!

Falei bem curta e grossa: minha senhora, tem tanta gente que fala fala fala, mas quem tem que falar sobre isso com você é um especialista, por isso estou te indicando o melhor método a ser seguido para sua cachorra de 13 anos que te deu alegria até agora, e agora é a hora que ela mais está precisando de você, então pensa melhor. Sobre pagamento, conversa com o proprietário que eles fazem da melhor maneira que a senhora quiser, o que importa é a saúde do seu cão....ahhhhhhhhhhhh e não esquece do vermífugo e vacinas pois estão atrasadas....muito obrigada, voltamos a conversar e pensa melhor! Pronto, entrei no consultório e bufeiiiiiiiiiiiiiiiii.

Ah não dá....nessa fissura do cigarro, na TPM me vem uma cliente com aquela velha história que tem tanta gente que fala fala fala......vai a merda! Eu respondi super educada, juro, mas por dentroooooooooo....

Está me dando deprê! Não posso ir embora, sou funcionária e tem um cliente que vem aqui no final do dia. O que que me deu? não consigo explicar ! Por enquanto é isso!

As 17 horas tive que sair do consultório e ir na rua do lado fumar um cigarro, a agonia era tanta que não aguentei, precisei, meu coração disparavaaaaaaaa. Me senti um pouco mais aliviada. Meu patrão não estava mas assim que possível vou comunicá-lo pois não costumo fazer isso. Atendi super bem meus clientes das 18 hrs, sai daqui um pouco alegre e conversando com a minha mãe. Cheguei em casa, fumei, comi e depois fumei de novo, com um café. Tomei meu remédio (diazepam e amplictil as 20:30 hs), não deu nada. Estava tremendo e meu coração disparado. As 23 hrs fui comer de novo e fumei outro cigarro. peguei no sono depois da meia noite.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dias seguintes

Olá!

Tudo o que está escrito no blog, do dia 11/07 ao dia 26/07, a Francine deixou registrado em folhas de papel, escrito a mão. Eram poucas palavras escritas, mais para descrever os seus sentimentos. Acho que o médico pedia isso, para depois mostrar na consulta e eles conversarem sobre o que ela estava sentindo. Termina no dia 26/07, e dia 04/08 ela tem mais alguns dias que foram digitados no seu netbook, que ela utilizava no trabalho. Esses textos são mais longos e não tem todos os dias, mas eu tenho a impressão de que ela apagou alguma coisa, porque termina no dia 29/08 e ainda era uma época que ela não estava tão mal, ainda não havia acontecido a recaída. Ela escrevia durante o trabalho, quando não estava atendendo. Começo a postar esses últimos dias amanhã.
Novamente agradeço todos os comentários, todas as mensagens de carinho das pessoas que estão acompanhando o blog. Ele fica muito mais rico com os comentários de todos. E também é muito importante os depoimentos daqueles que passam por problemas de drogas, que já viveram nesse mundo, que estão em tratamento. São pessoas de coragem, que estão lutando para viver, e esses depoimentos dão força para quem está acompanhando e também precisa de ajuda.
Quando saiu a reportagem no jornal, algumas pessoas fizeram alguns comentários maldosos, falando mal de mim e da minha irmã, que me deixaram chocada e muito desanimada. Mas eu acredito que esses comentários vieram da psicóloga, do médico ou do cara que a Francine se envolveu, como uma forma de defesa, ou talvez para me fazer desistir. Por isso eu coloquei moderação nos comentários, e agora eu leio todos antes de postar. Foram poucos perto dos que eu recebo de mensagens de carinho, mas aqueles com palavras bem duras, difíceis de acreditar que alguém com coração tenha escrito.
Só gostaria de deixar claro aqui que o objetivo do blog é divulgar a história para evitar que outras parecidas aconteçam. Nunca quis mostrar que a minha irmã era uma santa. Tanto que sempre falo que ela adorava uma festa, adorava beber, sair, dançar. Mas que ela não usava drogas, apenas havia experimentado. É isso que eu quero mostrar, uma jovem bonita, com estudo, divertida, que entrou nessa de bobeira e acabou se perdendo tão rápido. Para mostrar aos jovens que devem tomar muito cuidado para não ter o fim que a Francine teve. E para mostrar toda a dor da família que muitas vezes o jovem não percebe.

Eu também sei que ela tem uma grande parcela de culpa nessa história. Ela usou droga porque quis, ninguém obrigou. Mas eu não vou fingir que aceito tudo o que aconteceu. Fica claro que o tratamento foi feito de forma errada, que o médico e a psicóloga cometeram erros gigantescos, que custou a vida de uma pessoa. E é óbvio que eu e minha família temos raiva do cara que ela se envolveu. Imagina, ele a deixou viciada, ela precisou de tratamento, os profissionais erraram, ela reencontrou o cara, teve a recaída e logo faleceu. Somos humanos, sofremos muito com tudo isso. Daríamos qualquer coisa para ter a nossa Francine de volta, com todos os seus defeitos e qualidades, com o seu jeito alegre e mal humorado, com os seus sonhos, a sua vontade de vencer. Ainda não consigo acreditar que ela não está mais aqui conosco, é um sofrimento diário e constante!

Desculpe o desabafo
Um grande beijo

Isabela

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Décimo sexto dia fora da clínica

Dia 26/07 – Décimo sexto dia fora da clínica

Escrito por Francine:

Dormi bastante. Estava em Tijucas com a minha irmã. Almoçamos. Meu humor estava bom. Até chegar a tarde às 16:20 hs e a minha irmã me mandar de ônibus para Floripa. Eu chorei dentro do ônibus. A noite, quando cheguei minha mãe estava triste, mas depois tudo se normalizou. Custei a dormir.


Quando a Francine saiu da clínica, ela não podia fazer nada sozinha. E isso incluía dirigir, sair de carro sozinha. Mas ela não aceitava isso, achava um absurdo ter que andar de ônibus, pois ela tinha carro. E ela veio para a minha casa no sábado, com os meus pais. No domingo, eu falei que talvez a levasse em casa, mas nós tínhamos saído com ela no sábado, e eu não vi problema algum em ela voltar de ônibus, já que o tempo de viagem seria praticamente o mesmo. Ela ficou possessa comigo, porque eu não estava fazendo a vontade dela. Chorou, ficou de cara feia, mas eu não me submeti a nada disso. Liguei para o meu pai, pedindo para buscá-la na rodoviária. Ela iria levar 45 minutos, o mesmo tempo se eu a levasse de carro. Depois, a noite, eu liguei para saber se estava tudo bem, mas ela nem quis conversar.
Eu acho que esse foi um grande problema no tratamento dela. Nada ficou muito claro, ela queria ter as rédeas da situação, queria ter o controle. Assim: “eu estou doente, preciso de tratamento, vocês tem que fazer tudo o que eu quero porque senão eu posso ter uma recaída”. Isso deveria ter sido conversado com o médico, para fazer um acordo sobre o que ela poderia ou não fazer.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Décimo quinto dia fora da clínica

Dia 25/07 – Décimo quinto dia fora da clínica


Escrito por Francine:

Trabalhei super bem no sábado. Acordei ótima, com a sensação de que iria acontecer algo muito bom. A tarde teve o níver da minha avó, onde estavam presentes todos os primos e tios. Todos beberam muito. Me diverti, ri, fiquei super bem e estava com saudades de todos. Fomos embora, eu Clara e minha irmã.
Todos os primos decidiram ir para Balneário a noite, num bar que iria tocar uma banda. Minha irmã concordou e fomos eu, ela, meu cunhado e casais de primos. Nos divertimos, me senti bem. Começou a dar sono. Chegamos as 23:00 hs e saímos quase 2:00 hs. Dancei. Foi legal. Fiquei triste de todos estarem acompanhados e eu sozinha. Não tive empolgação de conversar com alguém (conhecer). Muito sono e enjôo. Tomei Liber.


Nesse dia ela foi para a minha casa e nós fomos no aniversário da minha avó em Itajaí. Lá estava bem divertido. Fazia tempo que não encontrávamos os primos. Mas o interessante é que a bebida era muito importante para ela, porque na volta ela me perguntou: “não bebesse por que?” E eu nem tinha reparado direito que os primos estavam bebendo. Eu respondi: “não, eu fui lá tomar café da tarde, e não tomar cerveja. Eu estou dirigindo e estou com a Clara”. E ela não entendeu porque eu não queria beber.
Então a noite nós saímos. Tentamos fazer com que ela se divertisse. Contamos uma história para os primos por causa da cerveja sem álcool que ela estava bebendo.  Dançamos, rimos, conversamos. Foi legal. Mas claro, para ela era diferente,  não estava mais acostumada a sair de noite para se divertir.

Abraços
Isabela

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Décimo terceiro e décimo quarto dia fora da clínica

Escrito por Francine:

Dia 23/07 Décimo terceiro dia fora da clínica
Tosse, gripada e o humor mais ou menos. Até depois do almoço estava tudo bem. Estou com muita vontade de chorar, e com várias nóias, muitas. Não dormi bem, comecei a ter pesadelos novamente


Dia 24/07 Décimo quarto dia fora da clínica

Durante o dia trabalhei normalmente.
A noite, eu e a mãe fomos na casa da minha tia. Eu não queria ir, mas a mãe insistiu e eu fui normalmente e voltamos cedo.
Depois que voltamos, eu já sabia que duas amigas iriam no El Divino. Fiquei muito eufórica. Queria sair urgentemente. Conversei com meus pais. Eu iria com a minha melhor amiga e voltaria a 1:00 hs. Não deu certo. Fui na casa do Amauri, um amigo de confiança. Cheguei lá as 22:00 hs e as 23:30 hs já estava em casa. Tomei café e fumei. Eles estavam no vinho e na cerveja. Chegaram 3 meninas arrumadas, que iriam sair. Não me senti bem, então fui embora.



Ela queria muito voltar a vida normal. Sair, beber e fazer festa, Mas ela ainda não estava preparada para isso. Era muito instável emocionalmente. Por qualquer coisa já perdia o humor e sentia vontade de desistir de tudo. Pode ver na casa desse amigo. Quando chegaram pessoas arrumadas, prontas para sair na noite, ela já desanimou e quis ir embora. Ela facilmente desistia. Precisava de muito trabalho psicológico para se aceitar como uma nova pessoa, com novos interesses, uma nova vida. Talvez pela sua fragilidade ela não tenha tido a força suficiente para segurar o vício.
E ainda com os profissionais incompetentes cuidando dela. Uma vez eu liguei para a psicóloga e disse que ela não poderia beber, porque o problema da Francine com a bebida era muito mais grave do que com a droga. Sabe o que ela me respondeu? "Eu não sabia que a sua irmã tinha problema com bebida, nós estamos tratando apenas o vício da cocaína." Dá para acreditar numa coisa dessas? Vocês vão ver, a história praticamente acaba quando ela volta a beber, porque dali a ter uma recaída leva 20 dias.

Beijos
Isabela

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Décimo segundo dia fora da clínica

Dia 22/07 Décimo Segundo Dia fora da Clínica

Acordei com a sensação: Foda-se! Quero viver, sair, ficar com alguém, me divertir. Sem drogas! Só bebida que me dá vontade. Estou muito gripada. No trabalho correu tudo bem. Está bem corrido. Um pouco calada, não querendo muito papo. Almoçamos fora, não conversamos sobre o que eu tenho, nunca mais conversamos, não sei se tenho vergonha ou medo de me abrir com a minha família. As 18:30 hs minha irmã estava em casa com a Clara, não consegui falar direito. Estava desanimada. Fui para a aula de dança, me senti feliz. Acho que estou muito carente, pensei muito no professor, cheguei a sonhar com ele. Eu me senti bem quando pensei em estar apaixonada por alguém, como me sentiria feliz. Demorei um pouco a dormir, mas dormi bem. Senti muito sono de manhã, tosse, gripada.


É muito visível a rápida alteração de humor dela. Em um momento está feliz, no seguinte já está desanimada, sem vontade de fazer nada, nem conversar. Mas ela se sentia muito carente, queria conhecer alguém, se apaixonar, para dar um sentido melhor a vida.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Algumas informações

Oi!

Muito legal a repercussão do blog depois da reportagem no DC. Muitas pessoas estão lendo e deixando comentários.
Para quem está começando agora, aconselho ler o blog desde o começo, porque ele conta uma história, que tem uma sequência. Vai contando todo o diário da internação da Francine, até ela sair da clínica e retornar suas atividades, tentando se adaptar a nova vida.
Em abril, tem o post "Carta da Mãe", que conta os últimos momentos dela. Ali conta como ela faleceu.
Sobre "a pessoa que a deixou viciada", muitas pessoas estão me pedindo para divulgar o nome dele. Mas meu pai, que é advogado, pediu para eu não colocar em hipótese alguma, e nem passar por e-mail. Não temos provas, e podemos sofrer um processo por causa disso. Quem mora em Floripa, fica fácil descobrir, Muita gente soube do caso da Francine. Se começar a perguntar para uma ou outra pessoa, acabarão descobrindo quem é o cara e o restaurante no centro da cidade.
Mas para falar a verdade, estou começando a ficar com pena desse cara. A vida dele não vai para frente. Ele é viciado. Já deve estar pagando pelo mal que fez.
Tenho muito mais raiva do médico e da psicóloga que estavam tratando dela. Porque nós confiávamos neles. E o erro foi tremendo.
Vou contar um fato:
A Francine teve uma recaída no último final de semana de setembro. No domingo ela ligou para o meu marido chorando e como ele pressionou, ela acabou contando da recaída. Pediu para ele guardar segredo e não me contar nada. Ela confiou nele. Mas como não é uma brincadeira, claro que ele me contou.
Na segunda-feira eu tentei entrar em contato com o médico dela. Liguei na clínica onde ela foi internada, pois sabia que ele estava atendendo lá. A secretária disse que ele ainda não estava, eu expliquei o caso a ela, disse que estava desconfiada que a minha irmã tinha tido uma recaída. Ela ficou de passar o recado a ele. Mais tarde ela me ligou (a secretária) , dizendo que o Dr. não poderia me atender, mas que era para eu insistir para a Francine não faltar a consulta que ela tinha na quarta-feira.
Na quarta-feira ela foi consultar com o Dr. e contou da recaída. Mas sabe o que ele disse a ela? "A sua irmã está me procurando, o que eu tenho a ver com a sua irmã? A minha paciente é você, e não ela, o que ela quer comigo?" Vocês acreditam numa coisa dessas?
A Francine saiu da consulta, chegou no trabalho e entrou no msn do meu marido brigando com ele: "Puxa, eu te pedi para não contar nada para a Isabela, mas tu contasse. Traísse a minha confiança". Ele tentou enrolar, dizendo que não tinha falado nada, que eu e minha mãe estávamos desconfiadas dela, por isso eu fui procurar o médico. Mas ela não acreditou e não contou mais nada para o meu marido, que era uma pessoa que ela confiava muito.
Não dá vontade de internar esse médico psiquiatra como Louco???? Também não posso falar o nome dele. Mas ele atende no centro de Florianópolis e nessa clínica que ela foi internada. Só posso dizer que NÃO é o Dr. Marcos Zaleski, melhor especialista nessa área. A Francine chegou a consultar com o Dr. Marcos, mas depois mudou para o outro, porque ele a atendia  na clínica de reabilitação. Iria voltar para o Dr. Marcos, mas não deu tempo. A consulta já estava marcada. Talvez tivesse sido tudo diferente.

Continuem acompanhando e divulgando!
Obrigada
Um grande abraço a todos
Isabela